Jamal Khashoggi, um jornalista que passou de ser uma pessoa próxima ao poder para um crítico ferrenho do governo saudita, foi assassinado em 2018 no consulado de seu país em Istambul, um homicídio que gerou uma grande comoção em todo o mundo.

Na semana passada, Washington divulgou um relatório dos serviços de inteligência americanos que acusa o poderoso príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salmán, apelidado de "MBS", de ter "aprovado" o assassinato de Khashoggi.

Durante a terceira audiência de um julgamento à revelia realizado em Istambul, a noiva de Khashoggi, Hatice Cengiz, de nacionalidade turca, exigiu que esse relatório fosse incluído no caso, segundo um jornalista da AFP.

Mas o presidente do tribunal rejeitou o pedido, alegando que o documento não "fornecerá nada" ao processo, embora tenha afirmado que Cengiz poderia voltar a apresentar seu pedido.

O relatório americano "atribui uma responsabilidade direta ao príncipe herdeiro, então queremos que o tribunal leve isso em consideração", declarou Cengiz após a sessão.

No total, 26 sauditas, dois deles próximos a MBS, estão sendo julgados à revelia em Istambul pelo assassinato de Khashoggi.

Na audiência desta quinta-feira compareceram dois funcionários turcos do consulado saudita, um agente de segurança e um motorista. Este último afirmou que no dia do assassinato, o responsável da segurança do consulado trancou com chave a sala em que ele estava junto com vários colegas e os proibiu de sair até nova ordem.

"Me deu a sensação de que estava acontecendo algo anormal", declarou.

O assassinato de Khashoggi, cujo corpo nunca foi encontrado, mergulhou Riad em uma de suas piores crises diplomáticas e manchou a imagem de MBS.

Riad afirma que o assassinato ocorreu durante uma operação não autorizada. Cinco pessoas foram condenadas à morte durante um processo sombrio na Arábia Saudita, mas suas penas foram comutadas para 20 anos de prisão.

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