Mark Forkner "forneceu informações falsas, imprecisas e incompletas à agência sobre uma nova parte do sistema de controle de vôo do Boeing 737 MAX", chamado MCAS, que causou os acidentes de 2018 e 2019, explicou o Departamento de Justiça.

Segundo os documentos da acusação, em 2016 Forkner descobriu informações sobre uma importante mudança feita nesse programa que buscava evitar perdas de altitude perigosas das aeronaves, mas decidiu não compartilhá-las com a Administração Federal de Aviação (FAA, sigla em inglês). A FAA, portanto, não incluiu referências ao MCAS em um documento essencial e nos guias de treinamento dos pilotos.

Forkner, 49, também é acusado de ter conspirado contra os clientes da Boeing que compraram o modelo 737 MAX, ao privá-los de informações essenciais. Segundo documentos divulgados em 2020, ele se gabava de poder enganar seus interlocutores da FAA para obter a certificação do sistema MCAS.

O 737 MAX foi homologado formalmente em março de 2017. Em outubro de 2018 e março de 2019, dois acidentes ocorridos, respectivamente, com aeronaves das empresas Lion Air e Ethiopian Airlines causaram 346 mortes.

Todos os outros 737 MAXs tiveram que pemanecer em terra por 20 meses, antes de serem autorizados a voar novamente, no fim de 2020, depois que seus programas foram alterados. A Boeing reconheceu sua responsabilidade na manipulação das autoridades e concordou em pagar mais de US$ 2,5 bilhões em indenização.

Forkner foi indiciado oficialmente por um grande júri do Texas por duas acusações de fraude relacionadas a peças de aviação e quatro acusações de fraude por comunicação eletrônica.

"Forkner ocultor informações essenciais do regulador para tentar economizar dinheiro para a Boeing", declarou o procurador federal do Texas Chad Meacham. "O Departamento de Justiça não pode tolerar a fraude, sobretudo em um setor de risco tão alto."

Procurada pela AFP, a Boeing não comentou o caso.

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