Protestos quase diários abalaram Mianmar desde que o golpe dos generais removeu seu governo em fevereiro, encerrando uma experiência de dez anos com a democracia.

A revolta em massa foi recebida com uma repressão militar brutal que matou mais de 850 pessoas, de acordo com um grupo de monitoramento local.

A junta reuniu uma série diversa de acusações contra a ganhadora do Nobel, que vai desde a aceitação ilegal de 11 quilos de ouro até a quebra de uma lei de sigilo da era colonial.

Na segunda-feira, sua equipe de defesa vai interrogar testemunhas sobre as acusações de que ela importou indevidamente walkie-talkies e desrespeitou as restrições do coronavírus durante as eleições do ano passado, vencidas de forma esmagadora por seu partido Liga Nacional pela Democracia (NLD).

Seus advogados - que tiveram permissão para se encontrar com ela apenas duas vezes desde que ela foi colocada em prisão domiciliar - disseram que esperam que o julgamento termine em 26 de julho. As audiências do caso ocorrerão todas as segundas-feiras.

Se condenada por todas as acusações, Suu Kyi, de 75 anos, pode pegar mais de uma década de prisão.

Um processo separado está programado para começar em 15 de junho, no qual ela é acusada de sedição ao lado do presidente deposto Win Myint e outro membro sênior da NLD.

- Ícone enclausurada -

Suu Kyi passou mais de 15 anos em prisão domiciliar durante o governo da junta militar anterior, até sua libertação em 2010.

Seu status internacional diminuiu após uma onda de violência militar contra a comunidade muçulmana marginalizada Rohingya, no país de maioria budista, mas o golpe devolveu a Suu Kyi o papel de ícone enclausurada da democracia.

Na quinta-feira, ela recebeu outras acusações de corrupção, de que ela teria aceitado ilegalmente 600 mil dólares em dinheiro e cerca de 11 quilos de ouro.

Seu advogado Khin Maung Zaw classificou as novas acusações como "absurdas". "Há um pano de fundo político inegável para mantê-la fora de cena no país e manchar seu prestígio", afirmou ele à AFP na semana passada.

Mianmar mergulhou em uma "catástrofe de direitos humanos" desde o golpe, disse a chefe de direitos da ONU, Michelle Bachelet, na sexta-feira, acrescentando que a liderança militar foi "unicamente responsável" pela crise.

Bachelet também criticou as detenções generalizadas de ativistas, jornalistas e opositores do regime no país, citando fontes confiáveis que afirmam que pelo menos 4.804 pessoas continuam presas arbitrariamente.

O líder da junta, Min Aung Hlaing, justificou sua tomada de poder com uma suposta fraude eleitoral na votação de novembro.

A junta afirmou que faria novas eleições dentro de dois anos, mas também ameaçou dissolver a NLD.

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