Mas os Jogos Olímpicos tiveram um último susto às vésperas de seu início.

O diretor da cerimônia de abertura, Kentaro Kobayashi, foi demitido do cargo nesta quinta-feira devido a uma brincadeira referente ao Holocausto feita há duas décadas, no último episódio polêmico enfrentado pelo evento.

"Soubemos que durante um espetáculo no passado, ele usou uma linguagem burlesca ao se referir a este trágico episódio do passado (o Holocausto, o genocídio de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial)", declarou a chefe da organização das Olimpíadas no Japão, Seiko Hashimoto, acrescentando que foi decidida "a retirada do Sr. Kobayashi das suas funções".

A polêmica cena, gravada em vídeo em 1998, mostra Kobayashi e outro ator interpretando comediantes infantis famosos na televisão japonesa.

Em um momento da gravação, Kobayashi se refere a alguns bonecos de papel como "aqueles que você disse da última vez: 'Vamos brincar de Holocausto!'", causando risos na plateia.

A dupla faz outra piada sobre a raiva que essa referência ao Holocausto provocaria em seu produtor de televisão.

Esse vídeo foi divulgado na madrugada desta quinta-feira, causando grande polêmica.

- "É totalmente inaceitável" -

Em um comunicado, Kobayashi se desculpou por palavras "extremamente inadequadas".

"Era uma época em que eu não conseguia fazer as pessoas rirem da maneira que queria, então acho que estava tentando chamar a atenção das pessoas de forma superficial", justificou.

"É escandaloso, totalmente inaceitável", reagiu o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga.

Em março, o diretor artístico das cerimônias de abertura e encerramento das Olimpíadas, Hiroshi Sasaki, já havia pedido demissão por ter sugerido internamente vestir a atriz japonesa Naomi Watanabe com uma fantasia de porco.

Em fevereiro, o presidente da Tóquio-2020, o ex-primeiro-ministro japonês Yoshiro Mori, teve que deixar seu cargo devido a comentários sexistas que geraram impacto mundial.

Os escândalos em cascata mancharam a imagem dos já impopulares Jogos de Tóquio aos olhos de grande parte da população japonesa, que teme que o evento agrave a crise sanitária no país.

Nesta quinta-feira, a lista de casos de covid relacionados aos Jogos se aproximava dos 90 desde o dia 1º de julho, com o surgimento de três novos positivos.

O russo Ilya Borodin, campeão europeu nos 400 metros medley, e o americano Taylor Crabb, jogador de vôlei de praia, encerraram suas participações nos Jogos antes mesmo de começar. Mais preocupante é o caso de Marketa Nausch Slukova, também do vôlei de praia, quinto caso positivo para a delegação tcheca nos Jogos.

Segundo a imprensa tcheca, o médico da delegação não estaria vacinado, algo que parece ter sido confirmado pelo primeiro-ministro do país, Andrej Babis, que descreveu o ocorrido como um "escândalo".

"Não gostei de forma alguma. Não sei o que aconteceu. Tentamos convencer as pessoas a se vacinarem e o médico não estava vacinado. É injusto com os atletas", lamentou.

A pandemia encontrou outra vítima, neste caso coletiva. Na quinta-feira, Tóquio soube que Guiné, que enviaria cinco atletas aos Jogos, decidiu cancelar a presença no evento.

A organização dos Jogos foi abalada desde o início da pandemia, o que forçou o adiamento por um ano em uma decisão sem precedentes.

"Gerenciar os Jogos, enquanto toma todas as medidas possíveis contra covid-19 ao mesmo tempo, está longe de ser uma tarefa fácil", admitiu o imperador Naruhito ao presidente do Comitê Olímpico Internacional Inglês, Thomas Bachen, de acordo com a agência Kyodo News.

"Gerenciar os Jogos, enquanto são tomadas todas as medidas possíveis contra a covid-19, ao mesmo tempo, está longe de ser uma tarefa fácil", disse o imperador japonês Naruhito em inglês ao presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, de acordo com a agência Kyodo News.

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