O exército "se prepara atualmente para uma operação de uma semana", afirmou um porta-voz militar. "Atualmente não há negociações para um cessar-fogo", acrescentou.

O exército de Israel bombardeia o território desde sexta-feira e alega que os ataques são direcionados contra locais de fabricação de armas da Jihad Islâmica, um grupo alinhado ao movimento Hamas - que governa a região -, mas que geralmente atua de forma independente.

Os ataques mataram na sexta-feira Tayseer al Jabari 'Abu Mahmud', um dos principais líderes da organização que está na lista de grupos terroristas dos Estados Unidos e da União Europeia.

Em represália, o braço armado da Jihad Islâmica lançou mais de 100 foguetes contra Israel e afirmou que era uma "resposta inicial".

O sábado foi marcado por novos bombardeios e disparos de foguetes, que até o momento não deixaram vítimas do lado israelense.

As autoridades de Gaza anunciaram um balanço de 15 mortos nos bombardeios, incluindo 'Abu Mahmud' e uma menina de cinco anos, e mais de 120 feridos.

Durante a noite, as forças israelenses prenderam 19 membros da Jihad Islâmica na Cisjordânia, um território ocupado por Israel desde 1967.

Ao mesmo tempo, a única central de energia elétrica da Faixa de Gaza foi obrigada a fechar por falta de combustível, devido ao bloqueio das entradas do território por parte de Israel desde terça-feira.

A empresa de energia elétrica afirmou que o cenário "agravará a situação humanitária" no território de 362 quilômetros quadrados em que moram 2,3 milhões de pessoas, com níveis elevados de desemprego e pobreza.

- Temor de escalada -

A ofensiva israelense acontece após a detenção na segunda-feira de dois líderes da Jihad Islâmica, incluindo Basem Saadi, acusado por Israel de planejar atentados recentes.

Por temer represálias, Israel fechou as passagens para mercadorias e pessoas com o território palestino na terça-feira.

A ofensiva gerou temores de uma escalada. Mas Jamal al Fadi, professor de Ciências Políticas na Universidade Al Azhar de Gaza, acredita que a violência terminará "em alguns dias".

"A Jihad Islâmica está reagindo de forma limitada e com isto impede que a ocupação (israelense) intensifique os ataques aéreos", declarou à AFP.

Na manhã de sábado, Gaza parecia uma cidade fantasma, com ruas vazias e lojas fechadas.

Este é o confronto mais grave entre Israel e as organizações armadas em Gaza desde a guerra de 11 dias de maio de 2021, que deixou 260 mortos no lado palestino, incluindo combatentes, e 14 mortos em Israel, incluindo um soldado.

O Egito, mediador histórico entre o Estado hebreu e os grupos armados em Gaza, informou que poderia receber uma delegação da Jihad Islâmica.

Mas o grupo armado palestino descartou a possibilidade de cessar-fogo. A organização acusa Israel de ter "iniciado uma guerra".

- Ameaça -

"Israel iniciou una operação antiterrorista precisa, contra uma ameaça imediata", afirmou o primeiro-ministro do país, Yair Lapid.

Ele acusa o grupo armado de ser "um representante do Irã que busca destruir o Estado de Israel e matar israelenses inocentes".

A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, reafirmou o apoio aos palestinos e insistiu que Israel "pagará um preço elevado pelo crime recente".

A Liga Árabe criticou a "feroz agressão israelense", enquanto a União Europeia e a Rússia pediram "moderação" diante da escalada de violência.

Em 2019, a morte de um comandante da Jihad Islâmica em uma operação israelense provocou vários dias de tiroteios fatais entre o grupo armado e Israel.

O Hamas, que enfrentou Israel em quatro guerras desde que tomou o poder no território em 2007, permanece à margem dos confrontos.

Mas a decisão que tomar agora será crucial, pois o grupo enfrenta pressões para melhorar as condições econômicas do território, bloqueado desde que o Hamas assumiu sua administração.

Os conteúdos mais inspiradores e atuais!

Ative as notificações do SAPO Brasil e fique por dentro.

Siga-nos na sua rede favorita.