Os combates na região de Afar indicam um risco de expansão da guerra no Tigré, que deixa milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados em oito meses, segundo as Nações Unidas.

No domingo (18), os rebeldes disseram que lançaram operações pontuais contra as forças do governo na região de Afar, o que supõe a abertura de uma nova frente.

O funcionário regional da Agência Nacional de Proteção Civil Mohammed Hussen afirmou nesta quinta-feira, porém, que se tratar de operações em grande escala e que as forças rebeldes "cruzaram a fronteira com a região de Afar e atacaram comunidades pastoris inocentes".

"Os combates violentos continuam acontecendo. Quase 70.000 pessoas se viram diretamente afetadas e estão deslocadas (...) Mais de 20 civis morreram", declarou.

O ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2019 e primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, enviou o Exército federal para Tigré em novembro passado, com o objetivo de destituir as autoridades regionais da Frente de Libertação do Povo de Tigré (TPLF).

Segundo ele, a operação foi realizada em represália por ataques lançados contra acampamentos do Exército ordenados pela TPLF, o partido que governou o país por três décadas.

Abiy proclamou vitória neste conflito no final de novembro passado, após assumir o controle da capital regional, Mekele. Os combates continuaram, porém, e Adis Abeba perdeu terreno.

Em 28 de junho, as forças rebeldes pró-TPLF reconquistaram Mekele e, nos dias seguintes, grande parte de Tigré.

Abiy prometeu que os faria recuar e mobilizou forças regionais, procedentes em especial de Oromia, para combater junto com o Exército federal.

Os combates na região de Afar interromperam a distribuição de ajuda alimentar no Tigré.

Dez veículos do Programa Mundial de Alimentos (PMA) que transportavam ajuda foram atacados no domingo a 100 quilômetros da capital de Afar, Semera, o que levou a agência da ONU a suspender seus comboios que passavam por essa estrada.

A estrada que corta Semera para entrar no Tigré se tornou um ponto crítico para a entrega de ajuda humanitária, depois que duas pontes em outras estradas foram destruídas no final de junho.

Segundo um documento da ONU consultado pela AFP, na quarta-feira (21), houve intensos combates das forças especiais de Afar e dos soldados do Exército federal contra as tropas do TPLF nos distritos de Awra e Ewa.

Esses dois distritos de Afar fazem fronteira com o sul do Tigré e o norte da região de Amhara, para onde vários milicianos foram enviados recentemente.

A rota que une a Etiópia ao porto de Djibuti, ao leste da região de Afar, é essencial para este país sem saída para o mar, o que gera temores de que os rebeldes do Tigré queiram bloqueá-la.

Nesta quinta-feira, o chefe da Agência Nacional de Proteção Civil disse que a estrada estava "aberta" e era "muito segura". Afirmou ainda que qualquer afirmação em sentido contrário é "propaganda" da TPLF.

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