Os manifestantes, que protestam contra o custo de vida, voltaram a avançar na capital equatoriana. À frente, marcharam mulheres com os braços entrelaçados. Atrás, milhares de indígenas tentavam quebrar a barreira de policiais que guardavam a Assembleia Nacional.

Os policiais reagiram com bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, enquanto os manifestantes responderam com coquetéis molotov, fogos de artifício e pedras.

Os confrontos, que se estenderam a um parque vizinho, deixaram um manifestante de 39 anos morto por arma de fogo, informou a Aliança de Organizações pelos Direitos Humanos, que registra quatro vítimas ao longo da crise.

Pela manhã, o presidente direitista Guillermo Lasso havia feito uma primeira demonstração de vontade de dialogar: cedeu a um dos pedidos dos manifestantes e ordenou que os militares se retirassem da Casa da Cultura, um local simbólico para os indígenas, localizado no centro da capital equatoriana.

Agitando bandeiras e com gritos de alegria, uma grande passeata entrou hoje no complexo, que estava sob o controle das tropas, no âmbito do estado de exceção em vigor em algumas províncias.

"É um triunfo da luta", festejou o líder indígena Leonidas Iza, presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie). Mas a incursão violenta pela área externa do Legislativo pode ter dissipado as opções de negociação, em um país semiparalisado, que contabiliza um prejuízo diário de 50 milhões de dólares.

"Fazemos um pedido para continuar trilhando os caminhos que nos permitam conciliar a paz. O diálogo é a única via que garante consensos", disse o comandante da polícia Fausto Salinas.

Cerca de 14.000 manifestantes se mobilizam em várias partes do país para exigir um alívio frente ao custo de vida elevado, encarecido pelo aumento dos preços dos combustíveis. Em Quito, a maioria das passeatas são pacíficas, mas, à noite, acontecem os distúrbios e confrontos com a força pública.

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