Nesse início de semana, uma delegação de Washington visitou a América Central para tratar do assunto, sem passar por Tegucigalpa.

O enviado pelo presidente Joe Biden para buscar uma solução para a imigração irregular do Triângulo Norte da América Central, Ricardo Zúñiga, iniciou uma viagem a trabalho nesta segunda-feira que o levará à Guatemala e El Salvador.

A mídia hondurenha afirma que o delegado evitou o país depois que o presidente, Juan Orlando Hernández, foi interrogado por supostas ligações com o tráfico de drogas.

"Nesta Semana Santa tivemos uma conversa muito frutífera, de aproximadamente 40 minutos, com Ricardo (Zúñiga), onde finalizamos detalhes dos grupos de trabalho que temos conduzido bilateralmente com os Estados Unidos desde 4 de fevereiro" sobre o fenômeno da migração que atinge a região, anunciou o ministro hondurenho das Relações Exteriores, Lisandro Rosales.

"Estou feliz por El Salvador e Guatemala por já estarem iniciando esses diálogos com os Estados Unidos. Honduras começou em 4 de fevereiro", disse Rosales. "Conosco eles já estão mais avançados, já estamos conversando sobre questões específicas", observou o ministro.

Na semana passada, um tribunal de Manhattan condenou o ex-deputado Juan Antonio "Tony" Hernández, irmão do presidente, à prisão perpétua, responsabilizando-o pela entrada de 185 mil quilos de cocaína nos Estados Unidos, com a ajuda de instituições estatais.

O juiz do tribunal, Kevin Castel, assegurou que o condenado "agiu como intermediário em subornos a políticos, incluindo seu irmão Juan Orlando Hernández e o Partido Nacional".

Castel acrescentou que em uma reunião com Joaquín "El Chapo" Guzmán, ex-líder do Cartel de Sinaloa, "Tony" Hernández "aceitou a oferta de US$ 1 milhão em dinheiro para a campanha presidencial de seu irmão Juan Orlando em troca de uma promessa de proteção para suas remessas de drogas e imunidade".

O presidente Hernández recusa as acusações e critica os tribunais dos Estados Unidos por confiarem, segundo ele, em depoimentos de ex-dependentes químicos perseguidos pelo governo hondurenho em busca de vingança. Seu irmão vai apelar da sentença.

O presidente hondurenho afirma ter transcrições de gravações feitas pela Drug Control Administration (DEA) dos Estados Unidos em 2013, onde os traficantes que o acusam hoje garantiram que não poderiam negociar com ele.

"A condenação e sentença de Tony Hernández é um lembrete de que não existe posição poderosa o suficiente para protegê-lo de enfrentar a Justiça quando você viola as leis de drogas dos Estados Unidos ao enviar toneladas de cocaína para o nosso país", afirmou por sua vez a agente encarregada da Divisão de Operações do DEA, Wendy Woolcock.

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