"Povos indígenas da Amazônia brasileira e colombiana, assim como ONGs da França e Estados Unidos, apresentaram hoje uma denúncia ao tribunal de Saint-Etienne, França, contra a gigante global varejista, Grupo Casino, por vender carne de vaca associada ao desmatamento e à apropriação terras", disseram as organizações em coletiva de imprensa virtual.

A denúncia se baseia na lei francesa do dever de vigilância adotada em março de 2017, segundo a qual as empresas com mais de 5.000 funcionários nesse país, ou mais de 10.000 em todo o mundo, devem estabelecer um plano para prevenir os riscos ao meio ambiente, aos direitos humanos e à corrupção que podem ser gerados em suas atividades e nas de suas filiais, fornecedores e subcontratados.

Os representantes dos grupos indígenas, entre os quais estão a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira e a Organização Nacional de Povos Indígenas da Amazônia Colombiana, exigem da rede de supermercados uma indenização "pelos danos causados aos seus territórios tradicionais e pelo impacto em seus meios de subsistência".

"Esses danos (...) afetam o nosso sustento, a nossa ancestralidade, nossa cultura e afeta, principalmente, a sobrevivência dos nossos povos indígenas", explicou Luiz Eloy Terena, líder do Povo Terena do Brasil.

Boris Patentreger, fundador da ONG Envol Vert, com presença na Colômbia, exigiu ao Casino "uma rastreabilidade rigorosa desde a primeira etapa da produção da carne até a comercialização do produto em seus supermercados".

De acordo com os demandantes, esta é a primeira vez que uma rede de supermercados é levada aos tribunais por essas acusações. Eles esperam receber cerca de 3,1 milhões de euros em compensação pelos danos.

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CASINO GUICHARD PERRACHON SA

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