Em um relatório intitulado "macrogranjas, veneno para a Espanha rural", a organização ambientalista critica "a expansão descontrolada da pecuária industrial na Espanha e o seu enorme impacto ambiental", portanto, requer "uma moratória" em novos projetos nesta área.

De acordo com dados citados pela ONG, o número de animais nas fazendas espanholas aumentou 33,2% entre 2015 e 2020, com mais 139,8 milhões de exemplares. O número de suínos, com destaque para a contaminação por nitrato, cresceu 21,5%.

Na visão do Greenpeace, o impacto sobre a poluição da água é imenso.

Com base em dados oficiais, o Greenpeace indica que 75% das águas subterrâneas tiveram um aumento da poluição por nitratos entre 2016 e 2019 e que a taxa média de nitratos na água aumentou 51,5% no país nesse período.

A organização afirma ter realizado estudos próprios das águas de todo o país entre abril e setembro, o que lhe permitiu constatar que cerca de um terço (28,7%) delas ultrapassou o nível autorizado de nitratos para serem consideradas potáveis.

No documento, o Greenpeace denunciou a inércia do poder público e a "ineficácia das 'Zonas Vulneráveis ao Nitrato (ZVN)'", instituídas pelo governo para proteger os territórios da contaminação por nitrato.

A área das ZVN aumentou para quatro milhões de hectares em dez anos, chegando a 12 milhões de hectares em 2021, o equivalente a 24% da superfície do país.

"É um verdadeiro paradoxo declarar, por um lado, cada vez mais" ZVN e ao mesmo tempo "aumentar a pressão (...) com o aumento excessivo e descontrolado do número de animais" nas fazendas, observou o Greenpeace.

Em relatório publicado na segunda-feira, a Comissão Europeia estimou que a Espanha fazia parte do grupo de países com "problema de gestão sistêmica" de resíduos agrícolas e instou-a a tomar medidas adicionais para controlar os níveis de nitrato.

Nesta semana, vários meios de comunicação responsabilizaram as fazendas de suínos pela falta de oxigênio no Mar Menor, que está na origem da morte de milhares de peixes nesta enorme lagoa de água salgada em Murcia (sudeste).

No início de outubro, duas ONGs denunciaram a Espanha à Comissão Europeia pela poluição do Mar Menor, produto da "saturação de químicos" na agricultura, segundo os denunciantes.

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