"Continuamos mantendo posições políticas muito distantes, mas concordamos em que a mesa de diálogo é a melhor forma de avançar e aproximar posições", disse o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, após uma reunião de duas horas em Barcelona com o presidente regional catalão, o separatista Pere Aragonès.

O líder socialista, que fez da resolução da crise na Catalunha um dos seus principais objetivos ao chegar ao poder, em 2018, voltou a rejeitar as duas principais reivindicações dos separatistas: aprovar um referendo de autodeterminação e a anistia dos acusados de participar do desafio separatista de 2017.

Aragonès, que falou pouco depois, voltou a definir ambas as questões como indispensáveis. Embora tenha admitido que o diálogo "exige tempo", alertou: "À medida que as negociações progredirem, iremos exigir resultados".

Contrária a qualquer movimento que implique uma mudança na Constituição, Madri não descarta votar um eventual acordo sobre uma nova posição da Catalunha no Estado, ao qual a direita espanhola se opõe.

As duas delegações debateram por duas horas sobre o cronograma e a metodologia para dar prosseguimento à negociação, que implicará também trabalhos discretos, segundo os diferentes comunicados divulgados pelas partes no fim do dia. O catalão concluía afirmando que o acordo final da mesa deverá ser submetido à votação dos cidadãos da Catalunha.

- Outro clima -

A crise na Catalunha, que atingiu seu clímax no turbulento outono de 2017, com a realização de um referendo ilegal e uma declaração efêmera de independência, mergulhou a Espanha em um de seus momentos mais delicados após o fim da ditadura de Franco, em 1975.

A reunião desta quarta-feira no Palácio da Generalitat, sede do governo catalão, decorreu de forma mais leve que a primeira, realizada em Madri em fevereiro de 2020, quando o separatista Quim Torra, cético em relação ao diálogo com Madri, presidia a Catalunha.

Após as eleições de fevereiro, o governo regional passou para as mãos de Pere Aragonès, cujo partido, Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), é um parceiro-chave da coalizão de Sánchez no Congresso espanhol.

Em poucas semanas, o governo central perdoou os separatistas presos pelos acontecimentos de 2017, os dois presidentes concordaram em retornar à mesa de negociações e foi acordado um investimento de 1,7 bilhão de euros na polêmica ampliação do aeroporto de Barcelona.

A tensão aumentou, no entanto, nos dias anteriores à retomada da mesa de diálogo, quando Madrid anunciou de surpresa a suspensão do projeto do aeroporto, alegando falta de confiança no governo catalão. A decisão - uma "chantagem", segundo Aragonès - piorou o clima também dentro da delicada coalizão separatista na Catalunha.

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