O Ministério Público começou a investigar Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro (1990-1997), depois que o ministério do Interior a acusou surpreendentemente por supostas irregularidades na administração da fundação que leva o nome de sua mãe (FVBCH), uma organização dedicada à defesa da liberdade de expressão.

Após 10 dias de interrogatórios, o MP acusou na terça-feira Cristiana, 67 anos, "pelos crimes de gestão abusiva, falsidade ideológica", além de "lavagem de dinheiro, bens e ativos".

As medidas solicitadas contra Chamorro incluem "retenção migratória (...) proibição de comunicação com pessoas vinculadas aos fatos sob investigação, além de inabilitação para cargos públicos, por não estar no pleno gozo de seus direitos civis e políticos por encontrar-se em um processo criminal", afirma um comunicado.

Sua mãe derrotou em 1990 Daniel Ortega nas urnas, quando ele tentou a reeleição após o primeiro mandato (1985-1990).

"O que Ministério Público faz é bárbaro, privá-la de seus direitos civis e políticos, quando apenas apresentam a denúncia", declarou a historiadora e ex-guerrilheira Dora María Téllez.

De acordo com Téllez, "tecnicamente Chamorro ainda não está inabilitada, mas tem a espada de Dâmocles e a decisão de Ortega de inibi-la".

"Eu sou inocente até que provem o contrário. Aqui não foram capazes de provar nenhuma acusação, portanto, podemos disputar cargos eleitorais", disse Chamorro na terça-feira. Ela considera as acusações uma "farsa" para retirá-la da disputa eleitoral.

A opositora, que não é filiada a nenhum partido, tem 21% de intenções de voto, atrás apenas de Ortega (30%), segundo uma pesquisa do instituto Cid Gallup divulgada na semana passada.

Os Estados Unidos acusaram nesta quarta-feira o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de temer "eleições livres".

"Proibir arbitrariamente a líder da oposição Cristiana Chamorro reflete o medo de Ortega de eleições livres e justas. Os nicaraguenses merecem uma democracia real", disse no Twitter o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, que cumpre seu segundo e último dia de visita na Costa Rica.

As medidas do MP afetam outras três pessoas, entre elas a correspondente da rede hispânica Univisión María Lili Delgado, ex-funcionária da fundação, e os jornalistas María Arróliga e Guillermo Medrano, que trabalharam na instituição até seu fechamento recente.

A FVBCH encerrou as operações este ano, depois que uma lei aprovada pelo Congresso de maioria governista intensificou os controles sobre as contribuições que as ONGs recebiam do exterior e para que se declarem agentes estrangeiros.

O governo considera as contribuições um risco de interferência na política interna.

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