"Quantos deles que dizem se sentir perseguidos hoje. Perseguidos? Perseguidos por eles mesmos, por seus ultrajes, por seus crimes. Quantos desses poucos podem ser considerados honestos? A honestidade é uma qualidade e um dom de Deus", declarou Murillo.

Apesar de não ter citado ninguém especificamente, as declarações da vice-presidente, que também é a primeira-dama da Nicarágua, ocorrem quando pelo menos sete opositores, incluindo quatro candidatos à presidência, foram presos sob a acusação de "incitação à intervenção estrangeira".

Essas prisões levaram a novas condenações e sanções pelos Estados Unidos e outros países contra o governo Ortega.

A operação policial começou no dia 2 de junho com a prisão de Cristiana Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro e candidata com maior probabilidade de derrotar uma possível nova candidatura do atual presidente.

Ortega, ex-guerrilheiro que governou a Nicarágua de 1979 a 1990, voltou ao poder em 2007 com a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e permanece no cargo após duas reeleições sucessivas. Seus adversários acreditam que ele tentará um quarto mandato consecutivo.

Ortega foi acusado pela oposição, por organizações de direitos humanos e pela comunidade internacional de governar de forma autoritária, após a repressão brutal das manifestações contra seu governo em 2018, que deixaram mais de 300 mortos e milhares de exilados.

Enquanto Chamorro está sob prisão domiciliar, o aspirante à presidência Arturo Cruz está preso, assim como Félix Maradiaga e Juan Sebastián Chamorro García, que foram condenados nesta quinta-feira.

O Congresso, com uma maioria pró-governo, atacou as novas sanções dos Estados Unidos contra o governo, classificando-as de "interferência, intervenção e unilaterais".

Também condenou "os traidores da pátria que promoveram bloqueios econômicos e comerciais e sanções arbitrárias contra o povo nicaraguense".

Cristiana Chamorro é processada por suposta lavagem de dinheiro da fundação que dirigia e que leva o nome de sua mãe, acusação que ela descreve como uma "farsa" para tirá-la da corrida eleitoral.

Para partidários do governo, a fundação Chamorro participava de uma campanha contra o Executivo, com financiamento de Washington. As mesmas acusações foram feitas contra os outros opositores detidos.

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