A pesquisa conclui que o gelo nas principais regiões da costa diminui a um ritmo entre 70% e 100% maior do que o consenso estabelecido. A causa dessa reavaliação drástica é o uso pelos pesquisadores de mapas mais recentes da camada de neve depositada sobre o gelo, que, desta vez, levam em conta o impacto de décadas de mudanças climáticas.

"Os cálculos anteriores da espessura do manto ártico se baseavam em um mapa da neve atualizado pela última vez há 20 anos", explicou o estudante de doutorado Robbie Mallett, que dirigiu o estudo. "Como agora a camada de gelo se forma cada vez mais tarde no ano, a neve que a recobre tem menos tempo para se acumular. Nossos cálculos levam em conta essa diminuição pela primeira vez e sugerem que a calota derrete mais rapidamente do que pensávamos", acrescentou.

Os pesquisadores usaram um satélite da Agência Espacial Europeia para calcular a altura do gelo sobre a água e calcular sua espessura total real, complementando essa estimativa com um novo modelo de cálculo da espessura da neve, desenvolvido com a Universidade Estadual do Colorado, nos Estados Unidos. Combinados, esses resultados lhes permitiram medir a taxa global de perda de gelo, bem como a sua variação de um ano para o outro.

A professora Julienne Stroeve, que também redigiu o estudo, lembrou que o Ártico se aquece três vezes mais rapidamente do que a média global.

A espessura da camada de gelo também é um indicador da saúde do Ártico, assinalou Robbie Mallett. "É importante, porque um gelo mais grosso atua como um manto isolante, impedindo que o oceano esquente a atmosfera no inverno e o protegendo do sol no verão. Um gelo mais fino também tem menos chances de sobreviver ao degelo ártico do verão", explicou.

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