A notícia foi anunciada poucas horas depois do apoio contundente da União Europeia (UE) à Ucrânia, com a concessão do status de país candidato, embora o processo possa demorar anos antes de Kiev integrar o bloco.

A tomada de Severodonetsk, na região leste do Donbass, se tornou um objetivo crucial dos russos, depois que suas tropas foram obrigadas a abandonar Kiev no início da invasão, que completa quatro meses nesta sexta-feira.

A cidade estratégica foi cenário de combates extremamente violentos nas ruas durante semanas, nos quais os ucranianos tentaram superar a desvantagem bélica com uma forte resistência

Mas nesta sexta-feira, Serguei Gaiday, governador da região de Lugansk, onde fica a cidade industrial, anunciou que as tropas devem abandonar a localidade.

"As Forças Armadas ucranianas terão que se retirar ade Severodonetsk. Receberam ordem para isto", afirmou no Telegram.

"Permanecer em posições que foram bombardeadas incessantemente durante meses não faz sentido", acrescentou.

A cidade foi "quase transformada em escombros" pelos bombardeios contínuos, disse o governador.

"Todas as infraestruturas críticas foram destruídas: 90% da cidade foi danificada, 80% das casas terão que ser demolidas", explicou.

A conquista de Severodonetsk permitiria aos russos avançar sobre a cidade vizinha de Lysychansk, consolidando o controle da região de Lugansk e possibilitando o avanço na ofensiva pela bacia de mineração do Donbass, que desde 2014 está parcialmente sob controle dos separatistas pró-Moscou.

- Lysychansk sofre bombardeios -

Gaiday informou que agora os russos avançam para Lysychansk, que também está sob cerco intenso das tropas de Moscou, que bombardeiam a cidade sem trégua.

Os jornalistas da AFP que deixaram a cidade na quinta-feira tiveram que sair do carro em que viajavam duas vezes para se proteger no chão devido aos bombardeios russos contra a principal rota de abastecimento da cidade.

A situação para os que permanecem em Lysychansk parece sombria.

Liliya Nesterenko contou à AFP que sua casa não tem gás, água e energia elétrica. Ela e a mãe cozinham em uma fogueira.

Um representante dos separatistas pró-Rússia afirmou que a resistência ucraniana é "inútil".

"Acredito que no ritmo que nossos soldados prosseguem, muito em breve todo o território da República Popular de Lugansk estará libertado", declarou à AFP por videochamada o tenente-coronel Andrei Marochko, porta-voz das milícias pró-Rússia.

No sul da Ucrânia, na cidade de Kherson, que está sob controle dos russos, um funcionário designado por Moscou faleceu em um atentado com explosivos colocados em seu carro, de acordo com as agências de notícias russas.

O governador nomeado pela Rússia para a região de Kherson, Kirill Stremousov, confirmou a identidade da vítima à agência RIA Novosti. "Sim, um dos meus funcionários morreu. Dmitri Savlushenko, ele era secretário para a Juventude e Esportes".

A Ucrânia insiste nos pedidos por mais armas e na quinta-feira o governo dos Estados Unidos anunciou uma nova ajuda militar para Kiev de 450 milhões de dólares.

- Decisão histórica da UE -

Na reunião de cúpula da UE em Bruxelas na quinta-feira, os líderes dos 27 países concordaram em conceder o status de candidato para Ucrânia e Moldávia, outra ex-república soviética com parte de seu território controlado por separatistas pró-Rússia.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, agradeceu o apoio, que chamou de "momento único e histórico" nas relações entre seu país e a UE.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que decisão envia "um sinal muito forte" para a Rússia.

Após a reunião de cúpula da UE, será a vez do encontro do G7 e, em seguida, acontecerá a reunião da Otan, estas duas últimas com a presença do presidente americano Joe Biden.

Uma fonte do governo dos Estados Unidos afirmou que a reunião do G7 no domingo pode anunciar novas sanções contra a Rússia.

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