O foguete Longa Marcha-2F decolou com os três astronautas às 9h22 do horário local, em meio a uma nuvem de fumaça do centro de lançamento de Jiuquan, no deserto de Gobi, no noroeste da China.

Esta missão é a primeira vez em quase cinco anos que a China lança um voo espacial tripulado, um recorde para o gigante asiático.

Em meio a um contexto de tensões com o Ocidente, o sucesso desta missão é uma questão de prestígio para Pequim, que se prepara para comemorar o centenário do Partido Comunista Chinês (PCC), no dia 1º de julho.

Na quarta-feira, durante uma coletiva de imprensa no centro de lançamento espacial de Jiuquan, os astronautas fizeram uma saudação militar aos jornalistas, em frente a uma grande bandeira vermelha com cinco estrelas.

O comandante da missão, Nie Haisheng, que já realizou dois voos espaciais, sublinhou a dimensão patriótica desta operação.

"Por décadas, já escrevemos capítulos gloriosos da história espacial chinesa e nossa missão incorpora as expectativas do povo e do próprio Partido", declarou.

Os três homens partiram a bordo da nave espacial Shenzhu-12, impulsionada por um foguete Longa Marcha-2F, que irá atracar no módulo Tianhe ("Harmonia Celestial"), de acordo com a CMSA (agência espacial chinesa).

Os astronautas ficarão no Tianhe, o único módulo da estação que foi colocado em 29 de abril em órbita terrestre (350-390 km de altura).

Na estação, eles se dedicarão aos trabalhos de manutenção, instalações, saídas para o espaço, preparação de futuras missões e próximas estadias de outros tripulantes.

- Uma luta 'a cada minuto' -

O trio realizou mais de 6.000 horas de treinamento, incluindo cambalhotas em uma piscina em trajes espaciais, para se acostumar com os passeios sem gravidade.

"Lutamos a cada minuto para realizar nosso sonho espacial", declarou Liu Boming, outro membro da tripulação. "Treinei me dedicando à causa", acrescentou.

Em sua cápsula, os três soldados poderão escolher entre 120 alimentos nas refeições e treinar na esteira para se manter em forma.

A missão Shenzhu-12 é o terceiro lançamento dos 11 que serão necessários para a construção da estação, entre 2021 e 2022. Quatro dessas missões serão tripuladas.

Além de Tianhe, que já está em órbita, os dois módulos restantes - que serão laboratórios de biotecnologia, medicina e astronomia - serão enviados ao espaço no próximo ano.

Estes últimos permitirão a experimentação em biotecnologia, medicina, astronomia e tecnologia espacial.

Após a conclusão, a estação terá uma massa de cerca de 90 toneladas e deverá ter uma vida útil de pelo menos 10 anos, de acordo com a agência espacial chinesa.

Designada em inglês CSS (para "Estação Espacial Chinesa") e em chinês Tiangong ("Palácio Celestial"), a estação será semelhante em tamanho à antiga estação Mir soviética (1986-2001).

O interesse chinês em ter sua própria base humana na órbita da Terra foi alimentado pela proibição americana contra a presença de seus astronautas na ISS.

Esta última - uma colaboração entre os Estados Unidos, Rússia, Canadá, Europa e Japão - deve ser aposentada em 2024, embora a Nasa tenha dito que poderia permanecer operacional além de 2028.

"Estamos prontos para cooperar com qualquer país que esteja comprometido com o uso pacífico do espaço", declarou um alto funcionário da CMSA, Ji Qiming, a repórteres.

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