Após um primeiro dia de paralisação na terça-feira, esta é a segunda jornada de greve da semana, que deve prosseguir com uma terceira no sábado caso empresários e sindicatos não alcancem um acordo.

Apenas um trem em cada cinco circulará e as linhas devem fechar às 18h30 locais.

Diante da mobilização histórica em um setor privatizado desde os anos 1990, o governo do primeiro-ministro Boris Johnson adotou uma postura inflexível.

"É importante recordar que estas greves são inúteis. Acho que as pessoas deveriam sentar à mesa e resolver o problema", disse Johnson durante uma viagem a Ruanda para participar de uma reunião de cúpula da Commonwealth, antes de ressaltar a importância de "reformas sensatas" no sistema ferroviário.

O governo britânico anunciou a intenção de mudar a lei para permitir a substituição dos grevistas por temporários e reduzir o que considera um impacto "desproporcional" das paralisações.

Em caso de aprovação no Parlamento, as mudanças devem entrar em vigor nas próximas semanas e serão aplicadas na Inglaterra, Escócia e Gales.

O ministro dos Transportes, Grant Shapps, afirmou que a reforma é "vital" e "garantiria que qualquer greve futura provocaria menos transtornos e permitiria que funcionários adaptáveis, flexíveis e qualificados continuem trabalhando".

O Executivo também anunciou que vai aumentar a indenização máxima que os tribunais podem exigir de um sindicato no caso de greves declaradas ilegais. Para os maiores sindicatos, a compensação máxima aumentará de 250.000 libras para 1 milhão (1,22 milhão de dólares).

O sindicato de transportes RMT, que convocou a greve de três dias, reivindica aumentos salariais para repor as perdas da inflação, ao mesmo tempo que denuncia a perspectiva de "milhares de demissões" e o agravamento das condições de trabalho.

Um porta-voz da Network Rail disse que ficou "decepcionado" com o fracasso das negociações e chamou a greve de "desnecessária e prematura". O operador da rede ferroviária estatal pediu aos passageiros que só utilizassem os trens em caso de necessidade.

O sindicato TSSA anunciou na quarta-feira que os trabalhadores da Merseyrail, uma das várias operadoras ferroviárias privadas no Reino Unido, aceitaram uma oferta de aumento salarial de 7,1%, pressionando ainda mais as negociações entre o RMT e os empresários.

"Os aumentos salariais são possíveis e plenamente justificados", afirmou o sindicato.

Kathy Mazur, diretora regional do sindicato RMT, alertou que as greves podem se espalhar para outros setores.

"Acho que as pessoas estão cansadas, a inflação disparou, ninguém teve um aumento de salário em três anos", disse na saída da estação Euston, no centro de Londres.

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