Vestidas de preto e encapuzadas, dezenas de manifestantes foram até as imediações do Palácio Nacional para exigir que o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e seu partido Morena bloqueiem o caminho para a candidatura de Félix Salgado.

As ativistas removeram as grades de metal que cercam o prédio e pintaram a placa do Zócalo (praça central) da capital com mensagens como "um estuprador não será governador".

O protesto foi realizado enquanto membros desse grupo foram chamadas a testemunhar na cidade central de Cuauhtémoc para responder às acusações de roubo e danos a propriedades privadas durante a marcha das mulheres em 8 de março de 2020.

"É ultrajante (...) que enquanto elas (feministas) estão sendo criminalizadas e perseguidas, tenhamos candidaturas de pessoas com este perfil", disse à AFP Gloria Méndez, uma das advogadas das ativistas acusadas.

A polícia interrompeu o protesto, após o qual as mulheres foram para a prefeitura de Cuauhtémoc.

Salgado, um polêmico político de 63 anos, foi o vencedor de uma votação para definir o candidato do Morena ao governo do estado de Guerrero (sul).

No entanto, sua aspiração foi pontuada por denúncias de várias mulheres que afirmam terem sido estupradas ou assediadas por ele. Os fatos acontecem desde 1998, mas o candidato nega ter cometido qualquer agressão.

O caso ganhou notoriedade ante as declarações de López Obrador, que sustenta que o ex-senador é considerado inocente enquanto não for condenado pela justiça.

Uma comissão de ética do partido do governo se absteve de desqualificá-lo, mas ordenou a retomada do processo para eleger o candidato, em que Salgado vai participar novamente.

O Ministério Público de Guerrero disse nesta segunda-feira que está analisando se há mérito para acusar Salgado criminalmente, e esclareceu que o caso de 1998 já prescreveu.

Nesta terça-feira, López Obrador reiterou que "não deve haver linchamentos por politicagem", porque para isso "existem instâncias judiciais".

O presidente também afirmou que o movimento feminista está sendo "utilizado" por seus adversários com fins eleitorais.

Os mexicanos vão às urnas para renovar as 500 cadeiras na Câmara dos Deputados, 15 dos 32 governadores estaduais e milhares de prefeitos e outras autoridades locais.

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