A proibição entrará em vigor a partir de 7 de janeiro, quando Trump foi retirado da plataforma, e ocorre depois que o conselho de supervisão independente do Facebook disse que uma sanção indefinida precisava ser revista.

Quase imediatamente, Trump chamou a sanção de um "insulto" a seus eleitores. "Não deve ser permitido que eles escapem impunes com essa censura e silenciamento. No final, ganharemos. Nosso país não pode suportar mais este abuso!".

"A decisão do Facebook é um insulto a um número recorde de 75 milhões de pessoas, além de muitos outros, que votaram por nós nas eleições presidenciais manipuladas de 2020", disse Trump em um comunicado.

Explicando a decisão, Nick Clegg, vice-presidente de assuntos globais do Facebook, disse que as ações de Trump "constituíram uma violação grave de nossas regras que merecem a maior penalidade disponível sob os novos protocolos".

O Facebook também disse que os políticos serão tratados como os outros usuários quando violarem as regras da rede social, particularmente em caso de desinformação.

Após a suspensão de dois anos, um painel de especialistas avaliará se as atividades de Trump continuam a ameaçar a segurança pública, de acordo com Clegg.

"Se determinarmos que ainda existem riscos graves para a segurança pública, estenderemos a restrição por um determinado período de tempo e continuaremos revisando até que o risco diminua", informou.

Quando a suspensão terminar e se ele violar as regras da empresa novamente, Trump enfrentará penalidades mais duras que podem levar à sua exclusão permanente do Facebook, de acordo com Clegg.

"Sabemos que a decisão de hoje será criticada por muitas pessoas", disse ele. "Mas a nossa tarefa é tomar a decisão mais proporcionada, justa e transparente possível, ajustando-se às instruções dadas pelo Conselho Fiscal".

No mês passado, o painel independente disse que o Facebook reagiu corretamente ao bloquer Trump por seus comentários sobre o ataque de 6 de janeiro. No entanto, ele também afirmou que a plataforma não deve aplicar penalidade por tempo indeterminado.

Angelo Carusone, do centro de informações e pesquisas esquerdista Media Matters for America, considerou a decisão do Facebook perigosa, assinalando que, se o ex-presidente voltar a ser admitido, "a plataforma continuará sendo um caldeirão de extremismo, desinformação e violência".

Ativistas de um grupo autodenominado Junta Supervisora Real do Facebook classificaram a decisão como tardia e insuficiente. "O Facebook não deveria precisar de uma Junta Supervisora de US$ 130 milhões e uma equipe de professores de direito para lhe dizerem que ditadores e autocratas andam soltos em suas plataformas", disseram em comunicado.

Trump foi suspenso do Facebook e Instagram após postar vídeos durante o ataque ao Capitólio por seus apoiadores que se recusaram a admitir a derrota nas eleições de novembro. "Nós te amamos. Você é muito especial", disse Trump naqueles posts.

O painel deu ao Facebook seis meses para justificar por que o veto a Trump deveria ser permanente, o que deixou a bola nas mãos do chefe da empresa, Mark Zuckerberg, e expôs a fragilidade da rede social para se autorregular. Zuckerberg observou que as empresas privadas não devem ser árbitros da verdade quando se trata do que as pessoas dizem.

A junta supervisora, concebida por Zuckerberg como uma espécie de supremo tribunal para questões difíceis envolvendo conteúdo, informou que começou a revisar sua última decisão sobre Trump e que fará novos comentários quando concluir esse processo.

O vice-diretor do Stern Center da Universidade de Nova York, Paul Barret, elogiou a sanção aplicada pelo Facebook. "Donald Trump mostra como um líder político pode abusar das redes sociais para enfraquecer instituições democráticas, como as eleições, ou uma transferência de poder pacífica. Foi justificável a rede social ter removido Trump de suas plataformas, e agora a empresa decidiu apropriadamente aplicar suas regras com mais vigor contra outras figuras políticas", assinalou.

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