"Em nosso entendimento, enviar tantas pessoas à pobreza com tão poucas infecções é problemático", afirma Oliver Kirchner, o principal candidato do Alternativa para a Alemanha (AfD) na Saxônia-Anhalt, sobre as medidas ordenadas pelo governo para conter os contágios por coronavírus.

Sua postura anticonfinamento parece ter valido a pena neste estado federal, onde o partido está bem posicionado nas pesquisas.

Nas pesquisas, o AfD está empatado com a CDU da chanceler Angela Merkel. O jornal Bild prevê vitória da extrema direita com 26% dos votos, à frente da CDU (25%).

Nas últimas eleições na Saxônia-Anhalt, em 2016, a CDU prevaleceu com 30% e formou uma coalizão com os social-democratas (SPD) e os Verdes.

Mas a CDU caiu nas pesquisas nos últimos meses devido ao descontentamento com a gestão da pandemia e a um escândalo de corrupção sobre os contratos de compra de máscaras.

Uma vitória da AfD seria um golpe para os conservadores a apenas quatro meses das eleições gerais, as primeiras em 16 anos sem Merkel.

O AfD começou com um discurso anti-euro em 2013 e capitalizou a preocupação pública com a decisão de Merkel, em 2015, de permitir uma onda de requerentes de asilo de países devastados por guerras como Síria, Afeganistão e Iraque.

E causou sensação nas últimas eleições gerais de 2017 com quase 13% dos votos, o que lhe permitiu entrar no Parlamento pela primeira vez como o maior partido da oposição.

Mas devido a divisões internas e acusações de ligações com grupos neonazistas, o apoio em nível nacional agora gira em torno de 10-12%.

Na Saxônia-Anhalt, também está envolvido em polêmica. Na capital do estado, Magdeburg, há pôsteres com o candidato local Hagen Kohl desfigurado com bigodes ao estilo de Hitler e o slogan "Nunca mais".

O comerciante de vinhos Jan Buhmann, de 57 anos, acredita que uma vitória do partido de extrema-direita seria um "desastre".

"A pandemia mostrou que precisamos de novas ideias. Precisamos de jovens, precisamos de dinamismo. Para mim, o AfD não representa isso", comentou.

Mas os apoiadores do AfD permaneceram leais ao partido nos estados da ex-Alemanha Oriental.

O aposentado Hans-Joachim Peters, 73, considera o AfD "o único partido que diz as coisas do jeito que são".

Os políticos deveriam "pensar menos na Europa e mais na Alemanha", disse ele à AFP em Magdeburg, onde ativistas do AfD distribuem panfletos em favor da "resistência" e "o fim de todas as restrições inconstitucionais às nossas liberdades".

O cientista político Hajo Funke, da Universidade Livre de Berlim, atribui a força do AfD no leste da Alemanha "à privação social e à frustração" que são uma consequência dos problemas da reunificação.

A oposição do partido às restrições impostas ao novo coronavírus também serviu para agregar eleitores à sua base, aponta.

Funke prevê que o AfD terá na Saxônia-Anhalt o mesmo número de eleitores que em 2016, quando obteve 24% dos votos.

"Alguns abandonaram porque o partido é muito radical, alguns radicais que não votaram o farão agora e alguns dos que são contra as medidas ao coronavírus também votarão no AfD", prevê.

O relatório Sachsen-Anhalt-Monitor 2020 deduz que o principal problema que preocupa os eleitores da região são as consequências econômicas da pandemia. Mas o tema favorito do AfD, imigração e refugiados, continua sendo o segundo.

De acordo com o candidato Kirchner, muitas pessoas da Saxônia-Anhalt ainda veem o influxo de refugiados na Alemanha com olhos "muito críticos". "E acho que eles estão certos".

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