Em vídeo transmitido à BBC, o príncipe Hamza afirmou que o chefe de Estado Maior do exército foi até a sua casa e lhe disse que "não estava autorizado a sair".

O príncipe garante não ter participado de qualquer conspiração e que "não é responsável pela degradação da governança, pela corrupção e pela incompetência" das autoridades do seu país.

Antes, o exército desmentiu que ele estivesse detido e afirmou que lhe pediu que cessasse as atividades que pudessem ameaçar a estabilidade do país.

Outras duas pessoas próximas à família real jordaniana foram detidas neste sábado por "motivos de segurança".

Em vídeos publicados na internet, via-se uma grande mobilização policial na região de Dabuq, perto dos palácios reais.

Hamza é o filho mais velho do falecido rei Hussein e de sua esposa americana, a rainha Noor. Oficialmente, mantém boas relações com Abdullah II e é popular, próximo dos líderes tribais.

Abdullah havia nomeado príncipe-herdeiro seu meio-irmão Hamza, atendendo ao desejo do pai, mas em 2004 retirou-lhe o título e o deu ao seu filho mais velho, Hussein.

Anteriormente, o jornal Washington Post noticiou que o ex-príncipe-herdeiro havia sido "posto sob restrição" no âmbito de uma investigação sobre um suposto complô contra o rei.

"A medida se seguiu à descoberta do que os funcionários do palácio descreveram como um complô complexo e de amplo alcance", reportou o jornal, citando uma ex-autoridade de Inteligência do Oriente Médio.

Segundo o Washington Post, o suposto complô "incluía pelo menos outro membro da família real da Jordânia, assim como líderes tribais e membros do aparato de segurança do país".

Em um comunicado, o presidente dos chefes de Estado Maior, general Yusef Huneiti, desmentiu que o príncipe Hamza estivesse entre os detidos. "O que se publicou sobre a detenção do príncipe Hamza não é verdade", assinalou.

No entanto, "lhe foi pedido cessar algumas atividades que poderiam ser usadas para ameaçar a estabilidade e a segurança da Jordânia".

- "Motivos de segurança" -

Segundo a agência oficial jordaniana, Petra, Bassem Awadallah, chefe da corte real em 2007-2008, e Sherif Hassan bin Zaid estavam entre os detidos, embora não tenha detalhado quantas pessoas foram presas.

Sherif é um título que se dá às pessoas próximas da família real da Jordânia.

Os dois homens foram detidos por "motivos de segurança" após uma operação, noticiou a agência, citando uma fonte de segurança.

Bassem Awadallah, ex-ministro de Finanças e Planejamento, era próximo ao rei da Jordânia e também uma figura controversa em seu país.

Antes de se tornar chefe da corte real em 2007, foi chefe do gabinete do rei em 2006.

Awadallah se demitiu do cargo de chefe da corte real em 2008 devido a críticas sobre sua suposta ingerência em questões políticas e econômicas controversas.

Alguns deputados, políticos e jornalistas o acusaram de se intrometer nos planos de privatização do país.

Dois aliados da Jordânia expressaram rapidamente apoio ao rei Abdullah II.

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, afirmou que Washington "acompanhava de perto" estas informações.

"Estamos [...] em contato com os funcionários jordanianos. O rei Abdullah é um parceiro-chave dos Estados Unidos e tem nosso apoio total", afirmou.

A Arábia Saudita reagiu expressando "seu apoio completo ao reino da Jordânia [...] e às decisões e medidas tomadas pelo rei Abdullah II e o príncipe-herdeiro Hussein para salvaguardar a segurança e a estabilidade".

As detenções ocorreram dias antes da comemoração do centenário do reino. Em 11 de abril de 1921, o rei Abdullah, dirigente do novo Estado da Transjordânia, formou seu primeiro governo após a criação do emirado, em março de 1921, junto com a Palestina durante o mandato britânico.

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