Sarkozy, de 66 anos, não irá, porém, para a prisão, uma vez que sua pena de um ano de prisão em regime fechado pode ser comutada e o tribunal não ordenou sua detenção após pronunciar o veredito.

O político, que sempre afirmou nunca ter cometido "o menor ato de corrupção", ouviu o pronunciamento de sua sentença no tribunal, parecendo impassível. Ele não fez declarações ao sair da sala de audiências, mas seus apoiadores rapidamente denunciaram uma "pena desproporcional" e "um assédio judicial".

A advogada de Sarkozy, Jacqueline Laffont, anunciou hoje que o ex-presidente vai recorrer da decisão.

Após esta condenação "extremamente severa" e "totalmente infundada e injustificada", Nicolas Sarkozy "está tranquilo, mas decidido a continuar provando sua inocência", afirmou a advogada em uma entrevista com a imprensa, transmitida ao vivo pela televisão.

"Que assédio insano, meu amor.... o combate continua, a verdade virá", reagiu, por sua vez, sua esposa, a ex-modelo e cantora Carla Bruni, no Instagram.

O tribunal de Paris decidiu que houve um "pacto de corrupção" entre o presidente, seu advogado Thierry Herzog e o ex-magistrado Gilbert Azibert, que foram condenados à mesma sentença.

A Promotoria havia solicitado uma pena de quatro anos de prisão, dois deles em regime fechado, alegando que a imagem presidencial havia sido "afetada" por este caso.

Sarkozy foi condenado por ter tentado corromper Azibert, junto com Herzog, quando Azibert era juiz do Tribunal Supremo.

Segundo a acusação, o ex-presidente desejava obter informações cobertas pelo sigilo profissional e influenciar os processos abertos na alta jurisdição relacionada ao conhecido caso Bettencourt, encerrado no final de 2013.

Em troca, teria oferecido a Azibert sua ajuda para obter um cargo de prestígio que ele desejava em Mônaco, apesar de nunca ter conseguido.

Esta primeira condenação de Nicolas Sarkozy ocorre antes de ele enfrentar, a partir de 17 de março, o julgamento do caso "Bygmalion", relativo aos gastos de sua campanha presidencial de 2012.

Afastado da política desde 2016, mas ainda muito popular e muito ouvido entre a direita francesa, um ano antes da próxima eleição presidencial, Nicolas Sarkozy está sob forte pressão judicial.

Ele está envolvido em vários casos, incluindo o de suspeita de financiamento líbio de sua campanha vitoriosa de 2007.

Este é um julgamento sem precedentes, já que Sarkozy é o primeiro ex-presidente da França desde a instauração da V República (1958) a se sentar fisicamente no banco dos réus.

Antes dele, apenas Jacques Chirac, seu antecessor e mentor político, foi julgado e condenado por desvio de dinheiro público quando era prefeito de Paris. No entanto, devido a problemas de saúde, ele nunca compareceu ao tribunal.

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