O presidente que se demitiu no final de outubro e outros três investigados, entre eles o atual conselheiro delegado do clube Oscar Grau, "estão detidos na delegacia à espera de prestar declarações", disse à AFP uma fonte próxima ao caso.

A operação está vinculada ao escândalo conhecido como "Barçagate", que surgiu há um ano quando foi revelado que uma empresa contratada pelo clube promovia campanhas de difamação nas redes sociais contra figuras do clube, como Lionel Messi e Gerard Piqué.

Devido a essas revelações, um grupo de torcedores denunciou a diretoria de Bartomeu por corrupção e gestão desleal, acusações que estão sendo investigadas por uma juíza de Barcelona, que ordenou a operação nesta segunda-feira.

Policiais do departamento de crimes financeiros dos "Mossos d'Esquadra", a polícia da região espanhola da Catalunha (nordeste), fizeram as buscas pela manhã nos escritórios do clube no estádio Camp Nou.

"Operação em andamento relacionada ao FC Barcelona. Várias buscas estão sendo realizadas", disse no Twitter o corpo policial. Um porta-voz afirmou que "houve prisões", sem identificar sua identidade.

Segundo a fonte próxima ao caso, além do ex-presidente e do conselheiro delegado Oscar Grau, os outros detidos são o atual responsável de serviços jurídicos Román Gomez e Jaume Masferrer, ex-braço direito de Bartomeu, que foi demitido pouco depois do Barçagate.

Em um comunicado desta manhã, o FC Barcelona "ofereceu sua colaboração plena à autoridade judicial e policial para esclarecer os fatos que são alvo de investigação".

- O terremoto 'Barçagate' -

O "Barçagate" foi revelado em fevereiro de 2020 pela rádio Cadena Ser, geralmente bem informada sobre os assuntos institucionais do clube espanhol.

De acordo com suas investigações, vários perfis nas redes sociais controlados pela empresa I3 Ventures mandavam mensagens para prejudicar a imagem de jogadores como Lionel Messi, Gerard Piqué, o ex-jogador Xavi Hernández ou o ex-técnico Pep Guardiola.

A imprensa afirmou na época que o objetivo desta campanha era melhorar a imagem de Bartomeu, já que as pessoas contra quem as mensagens se dirigiam eram críticas à gestão do presidente, demitido no final de outubro.

A rádio também revelou que o Barça pagou um milhão de euros (1,2 milhão de dólares) em várias faturas para a I3 Ventures, da qual se desvinculou após o escândalo.

A diretoria reconheceu ter contratado os serviços desta empresa, mas negou categoricamente ter pedido uma campanha de difamação.

"O Barça nunca contratou nenhum serviço para desprestigiar ninguém (...) É verdade que no final de 2017, o Barça contratou um serviço de monitorização para as diferentes áreas do clube nas redes sociais", defendeu-se Bartomeu.

O caso provocou um terremoto institucional, com a demissão de seis diretores da entidade, e a apresentação de uma denúncia por parte de um grupo de sócios contra a diretoria de Bartomeu por "suposta corrupção e gestão desleal" que deu origem à investigação em andamento.

Criticado por um amplo setor de torcedores, da equipe e até da diretoria, Bartomeu e o que restou de sua equipe se demitiram no final de outubro quando estavam prestes a serem expulsos por um voto de censura.

Seu mandato de seis anos e meio, iniciado acidentalmente pela demissão de seu antecessor Sandro Rosell por causa de outro escândalo, ficou marcado por inúmeros problemas judiciais, conflitos com a equipe e um evidente declínio no nível esportivo.

Esteve prestes a deixar como legado a perda da lenda Leo Messi, que tentou rescindir em agosto seu contrato de forma unilateral, decepcionado com os resultados da equipe e das decisões da diretoria, entre elas dispensar seu amigo Luis Suárez.

A operação policial ocorre a seis dias das eleições para a presidência do clube, nas quais os sócios (donos-torcedores do clube) deverão escolher entre Joan Laporta, ex-presidente entre 2003 e 2010, Victor Font e Toni Freixa.

Os conteúdos mais inspiradores e atuais!

Ative as notificações do SAPO Brasil e fique por dentro.

Siga-nos na sua rede favorita.