O Departamento do Tesouro informou em um comunicado ter incluído a China National Electronics Import & Export Corporation (CEIEC) em sua lista negra por colaborar para "restringir o serviço de internet e realizar vigilância digital e operações cibernéticas contra adversários políticos".

A medida supõe o bloqueio de todos os bens e ativos da CEIEC ou de qualquer entidade na qual a empresa tenha participação de 50% ou mais, que estejam nos Estados Unidos ou em posse ou controle de cidadãos americanos, e a proibição de qualquer transação financeira com indivíduos e entidades americanas.

"A dependência do regime ilegítimo de Maduro em entidades como a CEIEC para avançar em sua agenda autoritária ilustra ainda mais a priorização do poder do regime sobre os valores e processos democráticos", disse o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin.

"Os Estados Unidos não hesitarão em apontar contra qualquer um que ajude a reprimir a vontade democrática do povo venezuelano e outros em todo o mundo", acrescentou.

Washington, que não reconhece a reeleição de Maduro em 2018, por considerá-la fraudulenta, aumentou as sanções e a pressão diplomática contra Caracas em janeiro de 2019, quando reconheceu o líder parlamentar Juan Guaidó como presidente interino, atualmente considerado o líder legítimo da Venezuela por meia centena de países.

A China, assim como Rússia, Irã e Cuba, têm sido importantes aliados de Maduro.

Segundo o governo americano, a CEIEC proporcionou ao governo Maduro uma versão do seu "Great Firewall" - um jogo de palavras em inglês que mistura os termos "Grande Muralha" ("Great Wall") e "corta-fogo" ("firewall") -, o filtro do poder comunista que impede o acesso dos cidadãos a material considerado politicamente sensível.

A CEIEC dá apoio de software e capacitação à estatal venezuelana de comunicações CANTV, que controla 70% do serviço de internet em toda a Venezuela, segundo o Tesouro, segundo o qual a CANTV bloqueia com frequência jornais independentes on-line e discursos de membros da oposição.

Pequim criticou as sanções americanas, que considerou um "simples pretexto para sufocar relevantes empresas chinesas e venezuelanas".

"Também nos opomos fortemente ao abuso de sanções unilaterais e outros meios para forçar os venezuelanos a mudar seu caminho de desenvolvimento", disse a porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying.

"A China adotará as medidas necessárias para salvaguardar os direitos e interesses legítimos de suas empresas", completou, sem revelar detalhes.

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