A localização do maior exercício anual do Comando Militar Americano para a África (Africom) "significa a consagração do reconhecimento americano do Saara marroquino", comemorou pelo Twitter o chefe de governo marroquino, Saad-Eddine El Othmani.

O Africom confirmou à AFP que os exercícios serão realizados "pelo Marrocos, da base aérea de Kenitra, no norte, a Tan Tan e o complexo de treinamento de Guerir Labouhi, no sul", ou seja, dentro das fronteiras do reino conhecidas em nível internacional.

"Os locais foram escolhidos para reforçar as associações de segurança e nossas relações com outros países participantes [do exercício]", informou um porta-voz do Africom, coronel Christopher Karns.

Os Estados Unidos e o Marrocos "contemplaram um amplo leque de lugares para garantir o êxito do African Lion 2021, decidindo-se no final pelos locais propostos no início dos preparativos, no verão de 2020", ressaltou.

Anteriormente, a Frente Polisário também tinha desmentido o anúncio marroquino, qualificando-o de um "boato totalmente falso".

"Não haverá manobras conjuntas no Saara Ocidental", declarou à AFP o encarregado da diplomacia saarauí, Mohamed Salem Ould Salek.

"Serão realizados no sul do território marroquino e dentro das fronteiras do Marrocos reconhecidas internacionalmente", assegurou.

No âmbito de um acordo no fim do mandato do ex-presidente americano Donald Trump, os Estados Unidos reconheceram a soberania do Marrocos sobre este território reivindicado pelos separatistas da Frente Polisário.

Esse reconhecimento americano teve como contrapartida que o Marrocos aceitasse uma reconciliação diplomática com Israel.

A edição de 2021 das manobras conjuntas da Africom - anuladas em 2020 pela pandemia - reunirá 7.000 soldados de nove países de 7 a 18 de junho, diz o site do comando americano, sem detalhar onde os exercícios serão realizados.

Segundo Othmani, os locais escolhidos incluem sítios no Saara Ocidental: a região de Mahbès (leste), onde os militantes separatistas da Polisário anunciaram com regularidade bombardeios nos últimos meses, e a de Dakhla (sul), onde o Marrocos espera construir um grande porto atlântico.

Um gráfico enviado no Twitter por Othmani menciona um orçamento de 24 milhões de dólares (19,6 milhões de euros), com a participação de uma centena de blindados, 46 aviões de apoio e 21 aviões de combate.

A Espanha não é mencionada como país participante. Este aliado contribui, no entanto, há anos com as operações multilaterais, segundo o site do Africom.

Marrocos e Espanha atravessam atualmente uma crise provocada pela hospitalização na Espanha do líder da Polisário, Brahim Ghali.

Coincidindo com a recepção de Ghali, a quem o Marrocos considera um "criminoso de guerra", as forças marroquinas reduziram os controles fronteiriços em meados de maio, provocando uma onda migratória sem precedentes no enclave espanhol de Ceuta.

Território desértico de 266.000 km2 situado ao norte da Mauritânia, o Saara Ocidental é considerado um "território não autônomo" pela ONU.

Apoiada pela Argélia, a Frente Polisário reivindica a realização de um referendo de autodeterminação enquanto o Marrocos propõe uma autonomia sob sua soberania.

As negociações políticas sob os auspícios da ONU não avançaram em três décadas.

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