O trabalho, realizado pela Universidade do Chile, considera o efeito combinado das duas vacinas que estão sendo aplicadas no Chile: a da farmacêutica chinesa Sinovac, que representa 93% das doses aplicadas até agora, e a da farmacêutica americana Pfizer.

Os dados são divulgados no momento em que o Chile já tem 7,07 milhões de pessoas vacinadas com pelo menos uma dose e 4,04 milhões que receberam as duas. Com esses números, 26,6% da população-alvo da campanha está imunizada (15,2 milhões do total de 19 milhões de habitantes do país).

Os dados posicionam o Chile como um dos mais rápidos na vacinação de sua população na América Latina, em um processo que ocorre paralelamente ao aumento sustentado de novas infecções por coronavírus, com números recordes diários de infecções que ultrapassaram o da primeira onda, com mais mais de 8.000 novos infectados por dia.

O estudo estabelece três conclusões sobre a eficácia na prevenção de novos contágios: oferece 56,5% para aquelas pessoas que completaram mais de duas semanas desde que receberam as duas doses; 27,7% para aqueles que também receberam as duas doses, mas ainda não ultrapassaram 14 dias desde a última aplicação, e apenas 3% (igual à margem de erro) para aqueles que receberam apenas uma dose.

"A vacinação reduz muito a possibilidade de contágio; não elimina, mas reduz muito, por isso é preciso se vacinar", ressaltou o reitor da Universidade do Chile, Ennio Vivaldi, durante coletiva de imprensa virtual, na qual foram apresentados os resultados deste primeiro estudo.

Outra mensagem é que "a primeira dose da vacina não surte efeito relevante após quatro semanas". Portanto, seis semanas após a vacinação, "para todos os efeitos práticos, continua-se na mesma situação de vulnerabilidade ao contágio de quem não foi vacinado", acrescentou Vivaldi.

Os resultados são especialmente conclusivos nas curvas de novas contaminações em pessoas com mais de 70 anos, que, em sua maioria, já concluíram o processo de vacinação iniciado em massa no Chile em 3 de fevereiro.

O estudo calcula que, entre aqueles com mais de 75 e 79 anos, teriam sido gerados 80% mais casos se a vacina não tivesse sido aplicada. O percentual cai para 60% nas idades entre 70 e 74 anos.

- Dúvidas sobre a imunidade do rebanho -

O estudo estima para a vacina Sinovac uma eficácia de 54%, em linha com os resultados divulgados pelo Instituto Butantan no Brasil.

Para o Pzifer, foram considerados os dados fornecidos por Israel de uma eficácia de 94%.

A semelhança entre os números do estudo chileno e brasileiro sobre a eficácia da vacina Sinovac é um resultado animador para os pesquisadores chilenos.

Isso sugere que não foi afetada por uma eventual circulação de novas variantes do vírus no Chile, seja porque essa circulação ainda não é massiva, seja porque a vacina não perde eficácia com essas variantes.

No entanto, o estudo, que foi realizado com base em informações públicas do Ministério das Ciências do Chile, não conseguiu determinar em que medida as vacinas aplicadas no Chile servem ou não para prevenir hospitalizações por coronavírus, uma vez que ainda não há cruzamento de dados entre vacinados e pessoas internadas em hospitais.

"Embora se espere que seja maior, são necessárias informações para confirmar que este é o caso", disse um dos autores do estudo, Alejandro Jofré.

O estudo indica ainda que, com base na eficácia da vacina Sinovac, o desafio de alcançar a imunidade coletiva - prometida pelo governo chileno no final de junho - é ainda maior.

"Alcançar a imunidade de rebanho será um desafio maior do que em países com vacinas que são mais eficazes em média", disse Eduardo Engel, outro dos autores da pesquisa, explicando que quanto menos eficaz é uma vacina, "maior é a fração da população que deve ser vacianada".

A meta do governo chileno é vacinar 15,2 milhões de pessoas (80% da população total do país) até 30 de junho.

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