"Estamos prontos para ir ao México. Estamos prontos para nos sentarmos (à mesa de negociações) com uma agenda realista, objetiva, verdadeiramente venezuelana, para tratar todos os assuntos que houver que tratar, para chegar a acordos parciais pela paz, a soberania da Venezuela, para que todas as sanções criminosas contra a Venezuela sejam suspensas", afirmou o presidente em um discurso televisionado.

Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento controlado pela situação e um dos homens de confiança de Maduro, juntamente com Héctor Rodríguez, governador do estado de Miranda (norte), "comunicaram a todas as delegações da oposição e do governo da Noruega que estamos prontos", afirmou Maduro.

O presidente venezuelano já expressou em outras ocasiões sua disposição em dialogar com a oposição liderada por Juan Guaidó, a quem mais de 50 países consideram o presidente encarregado do país por não reconhecerem a reeleição de Maduro em 2018, a qual consideram fraudulenta.

Maduro condicionou sua participação à suspensão das sanções econômicas, que incluem um embargo ao petróleo venezuelano, que tem fechado ao país vias de financiamento em meio a uma dura crise econômica.

Guaidó também disse estar preparado para dialogar com o governo. Ele exige um cronograma eleitoral que inclua eleições presidenciais em troca da "suspensão progressiva" das sanções.

"Nós estamos prontos já", afirmou nesta quarta Guaidó em entrevista ao canal de TV aberta colombiano RCN.

Por enquanto, não há data prevista para estes diálogos, preparados em meio à prisão do ex-deputado Freddy Guevara (muito próximo a Guaidó), acusado de terrorismo e traição à pátria.

À margem do amplo repúdio internacional que esta detenção recebeu, a mesa de negociações é vista com bons olhos pelos Estados Unidos e pela União Europeia, que expressaram sua disposição em rever as sanções se avançarem as discussões em prol de eleições "confiáveis".

A Venezuela se prepara para celebrar eleições de prefeitos e governadores em 21 de novembro, que Maduro se comprometeu a respeitar, buscando recuperar o reconhecimento internacional.

Dividida, a oposição, que boicotou as eleições presidenciais de 2018 e as legislativas de 2020, enfrenta o dilema de participar ou não.

A última vez que governo e oposição se sentaram em uma mesa de negociações foi em Barbados em 2019, em diálogos também auspiciados pela Noruega, que terminaram sem acordo.

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