Floyd morreu em 25 de maio nesta cidade situada no norte dos Estados Unidos, asfixiado sob os joelhos de um policial branco. Seu calvário, transmitido em vídeo na internet, chocou o mundo inteiro e desencadeou uma série de manifestações em todo o país.

Em todos os lugares a população pedia transformações da força pública, mas foi em Minneapolis que esses pedidos foram mais longe: em 7 de junho, a prefeitura anunciou sua intenção de "acabar" com sua polícia, acusada de ser "estruturalmente racista", para "reconstruir um novo modelo de segurança pública".

Depois, vários legisladores quiseram que a questão fosse incluída na agenda das eleições de 3 de novembro que, além do duelo entre o presidente republicano Donald Trump e seu rival democrata Joe Biden, inclui referendos e outras votações locais.

Porém, depois que uma comissão de membros nomeados por um juiz vetou a questão, ele não poderá ser levado em consideração pelos eleitores de Minneapolis na terça-feira.

- "Verão horroroso" -

Em Minneapolis, "você não ouve mais nada sobre o que eles querem mudar", conta Waltower, que capacita jovens em programação de computador nos bairros pobres e predominantemente negros da cidade.

"Ainda assim, os afro-americanos se sentem prejudicados pela polícia diariamente", acrescenta esse pai de imponente estatura, que é com frequência fiscalizado por policiais.

Mas as prioridades mudaram com o aumento da criminalidade. Desde o início do ano, a cidade já registrou 65 homicídios, frente aos 49 registrados em todo o ano de 2019, além do aumento nos tiroteios.

Estamos vivendo "um verão horroroso e realmente difícil", relatou Waltower à AFP. Alunos do instituto no qual leciona ficaram presos em meio a esses tiroteios.

Para ele, o motivo é simples: há menos policiais nas ruas, o que dá um "sinal verde" para os bandidos.

De fato, a força policial diminuiu. Ao menos 175 policiais, dos cerca de 850, pediram demissão ou tiraram licença médica desde o início do ano, segundo um advogado que os representava.

"O incidente com Floyd, as manifestações, a falta de apoio, o sentimento de abandono (...) tudo isso faz com que um grande número de policiais digam 'Não posso continuar assim'", explica Ron Meuser.

Nesse contexto, o delegado pede mais recursos e não o contrário.

Mas Stuart Schrader, pesquisador de sociologia da Universidade Johns Hopkins, alerta contra o senso comum.

Para ele, a pandemia e seu impacto econômico sem dúvida tiveram um papel importante no aumento da criminalidade, como também observado em Nova York e Chicago.

Como muitos manifestantes, o pesquisador acredita que parte do orçamento da polícia poderia ser redirecionado para programas sociais, para combater as causas estruturais da violência.

Se Biden vencer a eleição presidencial, a questão voltará à mesa e "a esquerda pressionará por novas políticas", ressalta Schrader.

Por outro lado, se Trump for reeleito, "haverá pressão social (por reformas), mas também uma forte reação", teme o pesquisador.

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