"Quero ir embora de novo, a vontade está aí, e não sai da minha cabeça até que eu consiga. Se eles me pegarem uma, duas, três, quatro, cinco vezes vou tentar, porque é meu sonho sustentar minha família", confessa Wilmer Rodríguez.

Em um país com mais da metade de sua população vivendo na pobreza, milhares de hondurenhos acreditam que, migrando para os Estados Unidos, podem melhorar sua situação.

No caminho, eles correm riscos, especialmente nas mãos de traficantes de seres humanos ("coiotes") e estelionatários.

Neste ano, cerca de 50 mil hondurenhos retornaram da viagem, segundo dados oficiais.

De acordo com um relatório recente de várias entidades, os migrantes da América Central gastam cerca de US $ 2,2 bilhões por ano em seu caminho para os Estados Unidos, a maior parte com traficantes de pessoas.

- Barbeiro profissional -

Quando Wilmer decidiu ir embora, junto com um amigo, em fevereiro de 2020, ele tinha 17 anos. Ele foi deportado do México um mês depois.

Ao retornar, se profissionalizou como barbeiro e começou a trabalhar no bairro de Nueva Suyapa, nas colinas que contornam Tegucigalpa.

"O trabalho, sim, dá alguma coisa [o que recebe]. Mas para mim, não é suficiente para sustentar doze pessoas", afirma.

Em Honduras, o salário mínimo oficial é de US $ 400 e 80% da economia é informal.

Ele ainda não definiu uma data para sua próxima partida. E faz planos, sem que sua mãe saiba.

-"Não há emprego"-

Como Wilmer não voltou para casa, Lesly Madariaga, sua mãe, ficou acordada a noite toda e descobriu no dia seguinte que ele havia migrado.

"Eu não gostaria que ele passasse por esse processo de novo (...) não quero que ele corra perigo", diz ela.

"Os jovens querem uma vida melhor porque aqui em Honduras não há emprego", lamenta.

Como em vários bairros da América Central, as gangues Mara Salvatrucha (MS-13) e Barrio 18 atuam em Nueva Suyapa com tráfico de drogas e extorsão.

Wilmer diz que, muitas vezes, o crime atrai jovens.

"Meu objetivo é trabalhar (...) E minha casa também, um dia, eu sei que vou construir, um dia vou construir."

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