Depois de 18 meses de uma crise de saúde muito dolorosa para o Reino Unido, e após a saída muito criticada do Afeganistão, no momento em que o Brexit dificulta a chegada de produtos aos supermercados do país, o chefe de Governo conservador precisa de um balão de oxigênio.

O ministro da Educação, Gavin Williamson, foi o primeiro a confirmar no Twitter a sua saída, amplamente esperada após sua gestão dos fechamentos das escolas durante a pandemia e o posterior fiascos nos exames para universidades. Pouco depois, o ministro da Justiça, Robert Buckland, também anunciou que deixou o governo.

Os substitutos e outras mudanças serão anunciadas a conta-gotas durante a tarde.

A ministra do Interior, Priti Patel, também parece estar na corda bamba por seu fracasso na redução das chegadas de imigrantes em situação irregular através do Canal da Mancha, assim como o chefe da diplomacia, Dominic Raab, que provavelmente pagará o preço pela caótica retirada de Cabul após o retorno ao poder do Talibã em agosto.

Entre os possíveis nomes para o ministério das Relações Exteriores a imprensa menciona a atual ministra do Comércio Internacional, Liz Truss, responsável pela assinatura de novos acordos de livre comércio prometidos por Johnson após o Brexit, efetivo desde 31 de janeiro de 2020. Outro nome cogitado é o de Michael Gove, amigo do primeiro-ministro, responsável atualmente por coordenar a ação governamental.

O líder conservador "vai adotar uma equipe forte e unida para reconstruir melhor após a pandemia", afirmou uma fonte de Downing Street.

"Ontem o primeiro-ministro apresentou seu plano para administrar a pandemia de covid durante o outono e inverno. Mas o governo também deve redobrar seus esforços para atender as prioridades dos cidadãos", enfatizou. "Ele vai nomear os ministros esta tarde, com o objetivo de unir e nivelar todo o país", acrescentou.

O anúncio acontece em um momento delicado para Johnson, de 57 anos, que chegou ao número 10 de Downing Street no verão (hemisfério norte) de 2019 e venceu com ampla margem as eleições gerais de dezembro de 2019, quando prometeu concretizar o Brexit, votado em um referendo em 2016 mas adiado várias vezes desde então.

Uma pesquisa recente do instituto YouGov mostra uma queda de popularidade dos conservadores (33%), superados pela primeira vez pelo Partido Trabalhista (35%) desde o início do ano.

O Executivo está pagando sobretudo por sua decisão de aumentar as contribuições à Previdência Social para resgatar o sistema público de saúde, afetado pela pandemia de covid-19, e reformar o setor de assistência social.

Isto deixou os impostos no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial, rompendo a promessa eleitoral de Johnson de não elevar os tributos.

Na área da saúde, o governo britânico enfrenta uma situação complicada, após suspender em julho a maioria das restrições contra a covid-19, apesar da variante delta do coronavírus, que elevou o número de novos contágios a mais de 30.000 por dia.

A volta às aulas e a chegada do outono, com sua leva de vírus sazonais, como a gripe, aumentam os temores de uma situação difícil nos hospitais nas próximas semanas.

O plano do governo para enfrentar o inverno é baseado principalmente em uma campanha de vacinação de reforço contra covid-19.

O Reino Unido, com 66 milhões de habitantes, é um dos países mais afetados pelo coronavírus na Europa: registra mais de 134.000 mortes confirmadas desde o início da pandemia em março de 2020.

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