Os aminoácidos e outras matérias orgânicas do asteroide Ryugu "podem fornecer pistas sobre a origem da vida na Terra", de acordo com o estudo da Universidade de Okayama (oeste do Japão).

"A descoberta de aminoácidos capazes de formar proteínas é importante porque o Ryugu não foi exposto à biosfera da Terra, ao contrário dos meteoritos", destaca o estudo.

Por este motivo, "sua detecção demonstra que pelo menos alguns destes componentes básicos da vida na Terra podem ter se formado em ambientes espaciais", acrescenta.

Os cientistas identificaram 23 tipos diferentes de aminoácidos em 5,4 gramas de amostras de rocha e poeira coletadas no asteroide pela sonda japonesa Hayabusa-2, cuja cápsula retornou à Terra no fim de 2020 com sua carga após uma missão de seis anos.

O asteroide Ryugu ("Palácio do Dragão" em japonês), descoberto em 1999, está a mais de 300 milhões de quilômetros da Terra e tem menos de 900 metros de diâmetro.

Os cientistas acreditam que parte do material do asteroide foi criado há quase cinco milhões de anos, após o nascimento do sistema solar e não foi aquecido acima de 100 graus Celsius.

De acordo com outro estudo publicado na quinta-feira na revista americana "Science", o material coletado no Ryugu tem "uma composição química que se assemelha mais à fotosfera do Sol" que a dos meteoritos.

"Os cientistas têm questionado como a matéria orgânica - incluindo aminoácidos - foi criada ou de onde veio, e o fato de que aminoácidos foram descobertos na amostra oferece uma razão para pensar que os aminoácidos foram trazidos para a Terra a partir do espaço", declarou à AFP Kensei Kobayashi, especialista em astrobiologia e professor emérito da Universidade Nacional de Yokohama.

Outra teoria sobre a origem dos aminoácidos indica que foram criados na atmosfera primitiva da Terra por meio de relâmpagos, por exemplo.

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