O sérvio, de 34 anos, está de volta ao centro de detenção de imigrantes onde foi mantido por cinco dias na semana passada, até seus advogados conseguiram reverter uma primeira expulsão do país.

Nesta sexta-feira (14), o governo australiano cancelou seu visto pela segunda vez. À espera da análise da Justiça sobre o recurso apresentado pela defesa do jogador, não deu prosseguimento a sua expulsão imediata.

Ontem, o ministro australiano da Imigração, Alex Hawke, usou seu poder executivo para voltar a revogar o visto de Djokovic, alegando razões de "saúde e ordem pública".

"Os australianos fizeram muitos sacrifícios durante esta pandemia e esperam, como é lógico, que o resultado desses sacrifícios seja protegido", defendeu o primeiro-ministro conservador Scott Morrison esta semana, pressionado, a quatro meses de uma eleição geral.

Agora, o caso está nas mãos de uma corte federal, depois que o juiz de Melbourne, a quem os advogados do tenista apelaram, declarou-se incompetente. Essa mudança pode retardar o procedimento, estimou sua defesa.

Segundo a documentação apresentada à Justiça, as autoridades locais argumentam que a presença de Djokovic "pode estimular o sentimento antivacina" e provocar "agitação social", tendo, então, solicitado sua expulsão.

O tribunal fez uma primeira audiência neste sábado, a qual Djokovic acompanhou de forma remota. Uma outra está marcada para domingo, apenas um dia antes da suposta estreia de Djokovic no Melbourne Park contra seu compatriota Miomir Kecmanovic.

Após a sessão, um comboio de veículos se deslocou do escritório de advocacia do tenista, onde estava acompanhado de agentes, para o antigo Park Hotel, transformado em um centro de retenção de imigrantes.

O caso pode ter repercussões de longo prazo para o número um do mundo, que corre o risco de ter sua entrada do da Austrália por três anos.

Isso seria um duro golpe para "Nole", que sonha com conquistar seu 10º título em Melbourne e sua 21ª vitória em um Grand Slam, batendo o recorde absoluto que ainda divide com Roger Federer e Rafael Nadal.

Depois de quase dois anos expostos a um dos fechamentos de fronteira mais restritivos do mundo para impedir a propagação da covid-19, os australianos ficaram furiosos ao saber da isenção médica concedida ao tenista sérvio.

"O caso definirá como turistas, visitantes estrangeiros e cidadãos australianos veem as políticas de imigração e a 'igualdade perante a lei' nos próximos anos", disse Shanzhan Guo, professora de direito da Universidade Flinders.

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