"Há um déficit muito grande de vacinas no mundo e todos os dias recebemos pedidos de várias partes do mundo", disse Mayra Mauri, vice-presidente do grupo estadual BioCubaFarma, em entrevista coletiva.

Atualmente, "estamos desenvolvendo intercâmbios muito intensos com mais de 30 países", acrescentou Mauri, especificando que a ilha seguirá "um princípio fundamental: não vamos assinar contratos que não possamos cumprir".

Na semana passada, o Ministro da Saúde da Argentina, Carlos Vizzotti, fez uma visita de trabalho a Cuba e os dois países firmaram um acordo com o qual ratificaram a disposição de colaborar na produção dos imunizantes anticovid desenvolvidos na ilha.

"As conversas giraram em torno (...) do interesse da Argentina em poder contar com as vacinas cubanas", acrescentou Mauri.

Outras nações como Irã, México e Venezuela também demonstraram interesse por vacinas candidatas cubanas que, se aprovadas, seriam as primeiras concebidas e produzidas na América Latina.

Dos cinco projetos, dois estão em fase final de testes clínicos e a autorização oficial está prevista para este mês.

No entanto, devido à recuperação das infecções, o governo lançou uma campanha de vacinação nos grupos de risco em 12 de maio. As autoridades esperam ter vacinado 70% da população até o final de agosto.

Consultados pela falta de publicações científicas independentes que validem as primeiras fases dos ensaios clínicos, os cientistas cubanos garantiram que estavam "prontos para publicar", mas denunciaram várias rejeições de seus textos por revistas científicas.

"É o bloqueio (dos EUA) contra Cuba? É discriminação?", questionou a Dra. Marta Ayala, diretora do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB), cujos cientistas desenvolveram um dos dois candidatos na fase final dos testes.

"Sim, estamos publicando, não estamos escondendo nenhum resultado", acrescentou o Dr. Vicente Vérez, diretor do Instituto Finlay de Vacinas, que está trabalhando no outro projeto de vacina que está na reta final.

"Sim, há desprezo nas revistas (...) das publicações que vêm de Cuba e da América Latina, de países realmente considerados inferiores em ciência", disse Vérez.

Sob embargo dos Estados Unidos desde 1962, Cuba começou a desenvolver suas próprias vacinas na década de 1980 e atualmente cerca de 80% das que inclui em seu programa de imunização são fabricadas na ilha.

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