"Estamos em um limbo e a realidade é que ninguém pode vender, nem comprar permissões para negociar gases de efeito estufa", explicou à AFP a acadêmica da Universidade do Chile, Maisa Rojas, quando se celebra no país sul-americano o fórum ministerial global Energia Limpa (CEM).

Este mecanismo de créditos de carbono permitiria aos países ou empresas que precisam cumprir metas de redução de emissões fazê-lo dentro ou fora das fronteiras, explicou à AFP o ministro de Energia do Chile, Juan Carlos Jobet.

"Pode ajudar um terceiro a reduzir as emissões com financiamento ou atribuir-se ou contabilizar estas emissões" como próprias, disse Jobet.

"Há bastante consenso" de que os países desenvolvidos possam obter créditos de carbono - que lhes permitam aumentar seus volumes de emissões - de países em desenvolvimento menos contaminantes, através do financiamento de projetos de energias renováveis.

O conceito por trás desta ideia é que as emissões "não têm passaporte" porque afetam de forma igual a atmosfera, independentemente de onde foram geradas, exemplificou.

- Limitantes -

Governos, empresas e instituições tentam acordar uma normativa que regulamente esta iniciativa, surgida em 1997 com o protocolo de Kyoto contra as mudanças climáticas e que foi atualizada no artigo 6 dos Acordos de Paris de 2015, mas que ainda espera a cúpula ambiental COP 26 em dezembro próximo em Glasgow (Escócia) para que se estabeleçam regras de funcionamento.

Seis anos depois de sua ratificação, este ponto ainda está pendente e será um dos principais temas a tratar na COP 26.

Segundo Teresa Hartmann, líder sobre a questão climática do Fórum Econômico Mundial, o montante de todos os programas existentes de intercâmbio de carbono atualmente cobre apenas 20% das emissões de gases de efeito estufa no mundo.

"O problema é o que se chama de dupla contabilidade", adverte Rojas. "A gente como país vende a outro a redução. Mas quem conta a redução? O país que o faz em seu território ou o país ao qual se vende? Isso não pode acontecer porque precisamos que as reduções ocorram e não contá-las duas vezes", destaca.

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