Com 28 assinaturas, duas a mais que as exigidas para iniciar o trâmite no Congresso, a moção de "vacância" foi apresentada por congressistas dos partidos Avança País, Força Popular e Renovação Popular, que representam um terço do Parlamento.

Contudo, sua admissão para debate em plenário não está garantida, pois é preciso que 40% dos legisladores presentes aprovem a medida. Para remover o presidente, são necessários 87 votos de um total de 130 congressistas.

"Declara-se a permanente incapacidade moral do Presidente da República, o cidadão José Pedro Castillo Terrones, segundo o estabelecido no inciso 2 do artigo 113 da Constituição política do Peru", diz o texto da moção, difundido na imprensa local e nas redes sociais.

Castillo, por sua vez, disse que está "tranquilo" após tomar conhecimento da apresentação do pedido de vacância no Parlamento.

"Não me preocupo com os ruídos políticos, porque fui eleito pelo povo, e não pela máfia e pelos corruptos. Por isso minha dívida é com o povo. Estou tranquilo", disse o presidente na cidade de Jauja, aonde chegou para inaugurar obras sociais.

O pedido de moção é de autoria da congressista Patricia Chirinos, do Avanza País, que lançou o economista Hernando De Soto como candidato presidencial nas eleições deste ano.

O Parlamento unicameral peruano é dominado pela oposição de direita, enquanto o partido governista Peru Livre, de esquerda, é a primeira minoria com 37 votos.

A líder opositora e ex-candidata presidencial Keiko Fujimori tinha anunciado na sexta passada que seu partido, Força Popular, que tem a segunda maior bancada individual do Congresso (24 votos), depois do Peru Livre, apoiaria o pedido de destituição.

"No Força Popular, acreditamos que este governo vem demostrando uma incapacidade permanente para liderar o país", escreveu Keiko no Twitter naquele dia.

A legenda de extrema-direita Renovação Popular também apoia a destituição de Castillo, e convocou uma manifestação para este sábado.

A possível destituição de Castillo vem sendo cogitada desde o dia seguinte à sua eleição, quando os partidos de direita denunciaram que houve fraude eleitoral, apesar do aval dado aos resultados pelas autoridades eleitorais e pelos observadores da OEA e da União Europeia.

Castillo assumiu a Presidência em 28 de julho e seu mandato finaliza em julho de 2026. O presidente é alvo de críticas por sua falta de rumo e pelas constantes crises ministeriais. Em menos de 120 dias de gestão, ocorreram diversas mudanças de ministros e o governante enfrenta divisões em sua própria coalizão de apoio.

Além disso, a desaprovação da gestão do presidente chegou a 57%, de acordo com uma pesquisa do instituto Ipsos difundida em 14 de novembro.

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