Então, como o "Plano de Empregos Americanos" tenta posicionar o meio ambiente no coração do futuro crescimento econômico dos Estados Unidos?

- Energia verde -

Biden quer que o setor energético americano esteja totalmente livre de carbono até 2035.

Para este fim, ele pediu ao Congresso US$ 100 bilhões para investir na matriz nacional e mudá-la para uma mais limpa, assim como uma extensão em dez anos dos créditos fiscais para a geração e o armazenamento de fontes renováveis.

"O crédito fiscal para a energia eólica e solar tem sido consideravelmente bem sucedido na criação de investimentos e expansão em larga escala", disse à AFP Dan Lashof, presidente do World Resources Institute, comemorando a extensão.

O plano prevê US$ 15 bilhões em protótipos de projetos de protótipos em escala comercial para o armazenamento de energia, captura de carbono, usinas de hidrogênio, nuclear e fazendas eólicas flutuantes 'offshore'.

Também prevê um "Acelerador de Energia Limpa e Sustentabilidade" de US$ 27 bilhões - em outras palavras, um Banco Verde para mobilizar o investimento privado.

Lindsey Walters, especialista climática do centro de estudos Third Way, saudou a ideia de introduzir um Padrão de Energia Limpa nacional para incentivar a produção renovável e novos empregos.

"Estão sendo adotadas regulamentações inteligentes que estão criando a demanda de longo prazo do mercado por tecnologias de energia limpa", disse ela à AFP.

A conselheira da Casa Branca para o Clima, Gina McCarthy, também mencionou a medida em telefonema a jornalistas nesta quinta-feira.

"Nós achamos que é um dos melhores métodos para realmente alcançar as reduções que nós queremos com um nível de certeza", afirmou.

- Veículos elétricos -

O outro grande aspecto ambiental do projeto é um atraente investimento de US$ 174 bilhões "para conquistar o mercado de veículos elétricos (VE)", onde os Estados Unidos têm atualmente um terço da cota do mercado da China.

Isto inclui a estabilização de incentivos para criar uma rede de 500.000 carregadores de VE até 2030.

O dinheiro também será usado para estimular as cadeias de fornecedores domésticas de matérias-primas e peças e para ajudar as fábricas a se reequiparem para construir tanto veículos quanto baterias.

Cerca de 50.000 veículos a diesel serão substituídos, enquanto ao menos um quinto dos tradicionais ônibus escolares amarelos serão 'eletrificados'.

"Globalmente, o mercado parece estar se voltando para os veículos elétricos", disse Walters, acrescentando que a inclusão do "contexto político correto" dará a essa tendência já existente um impulso extra.

- O que pensam os especialistas? -

A maioria dos especialistas consultados pela AFP mostrou-se satisfeita com a proposta.

O cientista Amol Phadke, da Universidade de Berkeley, autor do "relatório 2035", sobre a transição energética, "energia e transporte estão entre os setores mais importantes para a mitigação climática e este plano é legitimamente ambicioso nestes setores".

Mas alguns grupos climáticos consideram que os Estados Unidos deveriam investir mais.

Denali Sai, porta-voz da organização climática sem fins lucrativos 350.org, admitiu que o plano prevê cinco vezes mais o que foi gasto pelo ex-presidente Barack Obama em seu pacote de recuperação de 2009.

"Mas este gasto ainda é muito pequeno para enfrentar a crise climática em escala e será preciso gastar muito mais para tornar a economia americana totalmente livre de carbono", acrescentou.

O grupo gostaria de ver um projeto de US$ 16 trilhões e é cético quanto ao financiamento da tecnologia de captura de carbono, que acredita representar um passe livre para a indústria dos combustíveis fósseis.

Outra crítica é que os Estados Unidos não anunciaram que irão seguir os passos de outros países que anunciaram a eliminação de novos carros movidos a combustíveis fósseis.

- O pacote será aprovado? -

O líder da minoria no Senado, Mitch McConnell, prometeu nesta quinta que os republicanos irão se opor ao plano por causa do aumento de impostos que ele demanda, acabando com as esperanças de Biden de um apoio bipartidário.

Embora a maioria dos projetos precise de 60 votos para ser aprovado no Senado, é possível aprovar alguns usando a maioria simples de 51 votos, que os democratas têm, por meio de certos procedimentos legislativos.

Ainda assim, exigirá o endosso dos democratas moderados, mais conservadores do ponto de vista fiscal.

"Eu reforçaria simplesmente o custo da inação", disse a jornalistas Ali Zaidi, vice-conselheira climática da Casa Branca, apontando 22 eventos meteorológicos extremos relacionados com as mudanças climáticas reportados no ano passado, cada um com custo superior a US$ 1 bilhão.

"Do lado competitivo da conta, a cada ano de atraso, estamos deixando outros países passarem à frente para alcançar a vantagem competitiva dessas indústrias incrivelmente importantes no futuro", acrescentou.

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