Antes do início do Grand Slam na segunda-feira (17), o ex-número um do mundo garantiu que "será um grande Aberto da Austrália com ou sem ele".

"Se ele acabar jogando, tudo bem. E se não jogar, é isso", afirmou Nadal.

O espanhol, que como Djokovic aspira a conquistar seu 21º Grand Slam e quebrar o recorde que também compartilha com Roger Federer, disse que respeita o sérvio "como pessoa, é claro, e como atleta, sem qualquer dúvida".

"Eu realmente o respeito, mesmo não concordando com muitas coisas que ele fez nas últimas duas semanas", insistiu.

No momento, Djokovic se encontra detido, aguardando a decisão da Justiça sobre a nova tentativa de deportação do governo australiano. As autoridades alegam que o tenista é uma ameaça, por não estar vacinado contra o coronavírus.

Na Austrália há dez dias, o sérvio evitou uma primeira tentativa de deportação e, desde segunda-feira, estava livre, podendo se preparar para o torneio. Na sexta-feira, o governo voltou a cancelar seu visto.

"Estamos em uma situação que se tornou mais complicada do que o esperado, que se embolou e que se arrastou com o tempo", disse Nadal. "Sinceramente, estou um pouco cansado da situação, porque acho que é importante falar sobre nosso esporte", completou.

"Estamos em um dos torneios mais importantes do mundo. Não há ninguém mais importante do que o próprio esporte", disse o espanhol, atual número seis do mundo após vários meses de ausência por uma lesão.

- Situação 'lamentável' e 'infeliz'

A novela em torno do número um no ranking masculino está ofuscando o restante do torneio e causando polêmica no circuito.

A atual campeã feminina, a japonesa Naomi Osaka, considerou uma "situação lamentável".

"É um grande jogador e é triste que as pessoas possam se lembrar dele dessa maneira", disse a bicampeã em Melbourne.

O número quatro do mundo, Stefanos Tsitsipas, criticou o sérvio nesta semana, dizendo que ele "jogou com suas próprias regras" e fez "a maioria" dos jogadores parecerem idiotas".

Ao ser questionado de novo sobre o assunto, neste sábado, o tenista grego evitou se envolver tanto.

"Estou aqui para falar sobre tênis, não sobre Novak Djokovic", disse o jogador de 23 anos.

"Não houve conversa suficiente sobre tênis nas últimas duas semanas, o que é uma pena", completou.

A principal esperança australiana do torneio masculino, Alex de Miñaur, lamentou que essa polêmica tenha ofuscado o torneio e os demais atletas.

"Esta situação tirou muito o foco da gente, os competidores. Estamos aqui para jogar o Aberto da Austrália", protestou.

Ele também se solidarizou com o desconforto de seus compatriotas que vivem quase dois anos sob fortes restrições, devido à pandemia.

"Os australianos passaram por muita coisa. Não é segredo. Eles passaram por muita coisa", afirmou.

"Eles fizeram um grande esforço para se proteger e proteger as fronteiras. Quando você vem, como qualquer outro tenista que quer vir ao país, você tem que ser vacinado com duas doses", enfatizou.

Outro ex-número um do mundo, o britânico Andy Murray, preferiu manter a neutralidade no assunto,

"Eu não vou começar a bater em Novak com ele já no chão", argumentou.

Número 3 do mundo e amigo de Djokovic, o alemão Alexander Zverev foi um dos poucos a defendê-lo, considerando que tem sido tratado como bode expiatório.

"Não sei muito sobre o caso, mas se não fosse Novak Djokovic, número 1 do mundo e vencedor de 20 títulos de Grand Slam, o drama não teria sido tão grande", estimou.

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