O ministério do Interior da Colômbia ordenou a "reabertura gradual" das passagens na fronteira de 2.200 quilômetros, uma medida rejeitada pelo governo venezuelano.

A medida entrou em vigor à meia-noite desta quarta-feira e deixou sem efeito um decreto presidencial que havia prolongado o fechamento até 1º de setembro.

Agentes de imigração removeram uma barreira de metal e revisaram os documentos de algumas dezenas de transeuntes que conseguiram atravessar da Venezuela, principalmente por motivos médicos.

Em 19 de maio, o país reabriu as passagens de fronteira com Panamá, Peru, Brasil e Equador, também fechadas para evitar a propagação do vírus. A Venezuela, que rompeu relações diplomáticas com a Colômbia, ficou de fora da medida em um primeiro momento.

O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela considerou nesta quarta-feira a decisão da Colômbia "inoportuna", pedindo às autoridades colombianas que "avancem na coordenação bilateral (...) que pode levar à reabertura acordada das passagens de fronteira".

Na semana passada, Maduro se declarou contra uma eventual reabertura "unilateral" da fronteira por parte da Colômbia.

Venezuela e Colômbia romperam relações em fevereiro de 2019, depois que o presidente Iván Duque reconheceu o opositor venezuelano Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela em detrimento de Maduro, que foi chamado de "ditador".

Quase um milhão de venezuelanos estão atualmente em processo de regularização de sua presença no país vizinho.

O fechamento das passagens de fronteira foi decretado inicialmente em 16 de março de 2020, 10 dias após o primeiro caso de coronavírus ter sido registrado na Colômbia.

Embora a Colômbia, de 50 milhões de habitantes, esteja passando por um terceiro pico da pandemia, ainda mais agressivo que os anteriores, vem relaxando a maioria das restrições sanitárias para tentar amenizar o desastre econômico.

Em proporção à sua população, a Colômbia é o terceiro país com mais mortes por coronavírus na América Latina e no Caribe, atrás do Peru e do Brasil. Quase 90.000 pessoas morreram devido à pandemia e mais de 3,4 milhões foram infectadas.

A Venezuela, por sua vez, registra pouco mais de 235.500 casos positivos, com 2.661 mortes, embora organizações como a Human Rights Watch desconsiderem os balanços oficiais denunciando uma elevada subnotificação.

Os conteúdos mais inspiradores e atuais!

Ative as notificações do SAPO Brasil e fique por dentro.

Siga-nos na sua rede favorita.