"Talvez eu tenha me comportado bem", disse ironicamente em uma conferência no teatro Thalia, em Hamburgo (norte), onde está encenando a peça "O Monge Negro", baseada no conto fantástico de Anton Tchekhov.

O diretor, que chegou à Alemanha na segunda-feira, especificou que retornará à Rússia no dia 22 de janeiro, noite da estreia de sua peça.

"Apresentamos o pedido oficial às autoridades pedindo que pudessem viajar para Hamburgo. E eles nos deram a autorização para este projeto", acrescentou.

"Não sei nada" sobre o que motivou essa decisão, disse ele, depois de ter recebido várias recusas no passado para outros projetos.

O cineasta não pôde estar presente no Festival de Cinema de Cannes em julho, onde seu filme "A Febre de Petrov" estava na disputa pela Palma de Ouro.

Serebrennikov garantiu que retornará ao seu país. "Devo voltar porque prometi".

Conhecido por suas criações ousadas, seu apoio ao movimento LGBT+ e suas críticas ao autoritarismo do governo de Vladimir Putin, o artista de 52 anos está proibido de deixar o território russo após ser condenado por desvio de fundos.

Seus problemas com a justiça começaram em agosto de 2017, quando filmava "Leto". Ele foi preso pela polícia e acusado de desviar dinheiro público.

Para seus defensores, esse artista audacioso, que já teve favores do poder, é punido por sua rebeldia.

Durante um ano e meio esteve em prisão domiciliar, sem acesso à internet e ao telefone. Recebeu e enviou mensagens através de seus advogados em pendrives com vídeos dos ensaios de seus espetáculos, e assim montou uma ópera em Hamburgo.

Em junho de 2020, foi condenado a três anos de prisão sob sursis e foi proibido de deixar o país durante esse período. Em fevereiro de 2021, o prefeito de Moscou o demitiu do Gogol Center.

O diretor disse à AFP que a Rússia é seu país. "Eu a amo muito e tenho muitos amigos. Meus sonhos estão sempre na Rússia".

Apesar de suas dificuldades, disse que sempre se sentiu livre.

"Ser livre faz parte do meu trabalho. É impossível trabalhar em arte ou teatro sem liberdade. Caso contrário, é propaganda ou outra coisa", disse.

"Nós carregamos nossa liberdade dentro de nós. Não é algo que se recebe do exterior", acrescentou.

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