Mais de 20 dos 30 milhões de venezuelanos são chamados às urnas em eleições em que o governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) busca a "vitória perfeita" com a conquista do único poder que desde 2015 é controlado pela oposição liderada por Juan Guaidó.

"Chegou a hora de votar pela pátria, pela paz, pelo futuro!", disse Maduro no aplicativo de mensagens Telegram.

Militantes chavismo reuniram-se cedo pela manhã nos bairros do país, lançando foguetes e soando a canção militar matinal que desperta as tropas e que se tornou uma tradição na mobilização dos militantes do PSUV.

"Aqui estou cumprindo meu direito de voto", disse à AFP Raúl Urquía, de 63 anos, em frente a um local de votação no centro de Caracas, onde cerca de 200 pessoas esperavam para votar, todas usando a máscara, obrigatória por causa da pandemia de coronavírus.

"Vim votar contra o imperialismo, vim votar contra aqueles que usaram a Assembleia para pedir sanções, este é um voto anti-imperialista".

"Diante da terrível guerra econômica dos Estados Unidos, nos sentimos encorajados a continuar lutando e ganhar a Assembleia Nacional", afirmou Nelson González (73).

O canal estatal VTV mostrou vários centros abertos e pessoas votando.

- Assembleia "pró-gringa" -

No sábado, Maduro assegurou que a "Assembleia Nacional pró-gringa" ficará para trás.

A Assembleia é chefiada por Guaidó, reconhecido presidente da Venezuela pelos Estados Unidos e outros cinquenta países.

O líder da oposição assegurou, por sua vez, que "o objetivo de Maduro" é "aniquilar o Parlamento" e pediu a abstenção neste processo que chama de "fraude".

Ainda assim, uma pequena fração dissidente da oposição tentará ganhar um dos 277 assentos.

Paralelamente, Guaidó tenta organizar uma espécie de plebiscito (de 7 a 12 de novembro) para estender a legislatura até que sejam realizadas eleições "livres, verificáveis e transparentes".

Mas essa consulta nada mais será do que testemunhal, já que Maduro exerce o controle territorial e institucional com o apoio da cúpula militar, considerada seu principal apoio.

A Venezuela atravessa uma crise econômica - com anos de recessão, hiperinflação e colapso dos serviços públicos - que deve se traduzir em baixa participação, segundo especialistas.

As eleições de 6 de dezembro receberam ampla rejeição internacional.

Os Estados Unidos já anunciaram que não reconhecerão o resultado da votação; a Organização dos Estados Americanos (OEA) as rejeita por falta de condições e uma associação internacional de juristas as considera uma "ficção" sem validade jurídica.

Um grupo de representantes bipartidários do Congresso dos EUA condenou na sexta-feira as eleições porque "elas não atendem a nenhum padrão de um processo livre e justo".

Washington é o principal aliado de Guaidó e lidera a pressão internacional contra Maduro com sanções econômicas, incluindo um embargo do petróleo em vigor desde abril de 2019.

A União Europeia, por sua vez, não considera que a votação será "justa, transparente e credível", pelo que é improvável o seu reconhecimento do processo, disseram fontes europeias à AFP.

O bloco europeu pediu meses atrás o adiamento das eleições, condição para o envio de uma missão internacional de observação ao país. O governo socialista rejeitou o pedido, chamando-o de "inadmissível".

O chavismo perdeu o controle do Parlamento em 2015 após 15 anos de hegemonia chavista.

No entanto, Maduro rapidamente anulou seu poder por meio do Supremo Tribunal Federal, enquanto Guaidó reivindicou a presidência em 2019, depois que a Câmara declarou Maduro "usurpador" por ter sido reeleito de forma "fraudulenta" em maio de 2018.

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