"Vamos ter que pedir para aumentar a Avenida Libertador, porque ela ficou pequena para nós. Aqui está o povo", disse Marcelo Abdala, secretário-geral da central sindical PIT-CNT, aos milhares que lotaram vários quarteirões dessa via central da capital que leva ao Palácio Legislativo, sede do Parlamento uruguaio.

Em uma longa lista de demandas, o PIT-CNT reivindica empregos e melhores salários, em meio à queda do poder de compra dos uruguaios.

Os sindicatos também rejeitam o aumento das tarifas públicas e proclamam a soberania do Porto de Montevidéu, após o governo estender por 50 anos a concessão a uma empresa belga para operar o terminal de contêineres.

Também pedem a revogação de 135 dos 476 artigos da Lei de Urgente Consideração (LUC), iniciativa do governo muito questionada pelo opositor Frente Ampla (FA, esquerda) e sobre o qual está sendo promovido um referendo.

Questionado sobre os protestos, o presidente Lacalle Pou afirmou que se trata de "uma greve claramente política", em particular porque se coloca "contra a LUC" e o governo.

O presidente do PIT-CNT, Fernando Pereira, retrucou que o presidente "tem razão" e acrescentou: "É uma greve política, assim como todas as greves da história do movimento sindical". No entanto, garantiu que não se trata de um ato partidário.

No meio da tarde, a central ainda não havia divulgado os percentuais de cumprimento da paralisação geral.

Setores como saúde e educação suspenderam a maior parte de suas atividades, enquanto as empresas de transporte aderiram, mas não pararam para facilitar a mobilidade dos manifestantes. O movimento do comércio em Montevidéu foi praticamente o habitual.

Esta é a terceira greve geral do PIT-CNT, que reúne quase todos os sindicatos de trabalhadores uruguaios, desde que Lacalle Pou chegou ao poder, em 1º de março de 2020, pelas mãos de uma coalizão de cinco partidos liderada pelo Partido Nacional (PN, centro-direita).

A central se opõe ao governo, citando uma queda nos salários reais, um aumento da pobreza e a perda de empregos.

Porém, 56% dos uruguaios aprovam a gestão de Lacalle Pou, segundo levantamento da consultoria Cifra divulgado na semana passada.

Embora o valor implique uma diminuição de 10 pontos no último ano, o percentual continua alto, em particular devido à gestão bem-sucedida da pandemia de covid-19.

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