A caravana foi organizada de forma surpreendente, liderada pelos venezuelanos e sem a intervenção de ativistas mexicanos que costumam liderar estas mobilizações.

"A marcha não quer permissões de 30 dias, não queremos visto humanitário, queremos que as organizações e o governo mexicano nos habilitem um corredor humanitário para chegar ao norte", disse diante da multidão o venezuelano Jonathan Avila, um dos que lidera a mobilização.

No começo do mês, outra caravana de milhares de migrantes deixou Tapachula, mas em três dias foi se fragmentando à medida que as autoridades entregavam salvo-condutos de um mês para percorrer o país.

Os migrantes tentam chegar aos Estados Unidos para pedir asilo, mas ao chegar a localidades do norte do país sua marcha é detida por autoridades federais.

Esta é a oitava mobilização de migrantes sem documentos organizada em Chiapas este ano.

O salvadorenho Jorge Hernández, que viaja com a esposa e cinco filhos, explicou ter decidido aderir à caravana para não aguardar os três meses para uma entrevista na Comissão Mexicana de Ajuda aos Refugiados (COMAR).

"Em um albergue só se pode passar três dias; esperar a entrevista é uma despesa grande demais, além disso diariamente gasta-se muito, porque te mandam da Comar para a migração", disse.

Segundo a agência da ONU para os refugiados, mais de seis milhões de venezuelanos deixaram seu país, mergulhado em uma profunda crise econômica e política.

As caravanas de migrantes que percorreram o México em 2018 e 2019 provocaram fortes tensões com os Estados Unidos, então governados pelo republicano Donald Trump.

Desde então, o México reforçou seus controles na fronteira sul e em 2021 foram detidos 307.679 migrantes.

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