Em um ato simbólico no Hospital das Clínicas, na Zona Oeste da capital paulista, o indígena Davi Seremramiwe Xavante, de 8 anos, foi a primeira criança vacinada contra a covid-19 no Brasil, em meio a um crescimento vertiginoso das infecções no país com o auge da variante ômicron.

Nesta sexta-feira, o Brasil somou 112.286 novos casos em 24 horas, número próximo ao recorde de 115.228 registrado em 23 de junho, quando o país estava em plena terceira onda da pandemia.

De etnia Xavante, Davi possui mobilidade comprometida por causa de uma doença genética e realiza tratamento no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas.

"Estamos vacinando a primeira criança", disse durante o ato o governador João Doria (PSDB), que é apontado como possível candidato nas eleições presidenciais de outubro.

A campanha de vacinação infantil começará na semana que vem em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com prioridade para as crianças com limitações de mobilidade, deficiências permanentes e grupos vulneráveis, como os indígenas, entre outros.

A imunização desta faixa etária, cuja população é estimada em mais de 20 milhões no Brasil, será realizada com as doses pediátricas do fármaco da Pfizer/BioNtech e precisa da autorização dos pais.

Com o começo da campanha, um mês depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina Pfizer/BioNTech para crianças, o Brasil se junta a uma lista crescente de países que já começaram a vacinar esta faixa etária, entre os quais estão Estados Unidos e Alemanha.

A decisão sobre a vacinação de crianças no Brasil, no entanto, foi bastante polêmica por causa da resistência do governo em adotá-la, depois que o presidente Bolsonaro se contrapôs ao parecer da Anvisa.

Bolsonaro, que insiste em afirmar que não se vacinou e que não vai vacinar sua filha Laura, de 11 anos, ameaçou há algumas semanas divulgar os nomes dos técnicos da Anvisa que aprovaram a imunização de menores, o que gerou uma onda de intimidação contra a agência reguladora.

Bolsonaro tem se posicionado contra a vacina desde o início e adverte que o fármaco teria contraindicações às crianças. Além disso, o presidente insiste em minimizar os riscos da doença para os menores, afirmando que não tem conhecimento de mortes por covid nessa faixa etária.

A maior parte dos especialistas, no entanto, discorda do presidente e considera a inclusão das crianças como essencial para proteger a saúde das próprias crianças, e reduzir a propagação do vírus no momento em que o país vê uma explosão de casos, possivelmente relacionada à variante ômicron.

Desde o início da pandemia, o Brasil acumula mais de 620.000 mortes relacionadas ao coronavírus, um número somente superado pelos Estados Unidos. Até o momento, 74,1% da população brasileira já recebeu o esquema completo de vacinação.

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