"A qualidade de vida é estabilizada, e as flutuações motoras (alternância de melhora/reaparecimento dos sintomas) até melhoraram depois de dois anos" para os pacientes em questão, declarou à AFP o neurologista Emmanuel Flamand-Roze, um dos autores do estudo publicado nesta sexta-feira (11) na revista NPJ Parkinson's Disease.

Ele reforça, porém, que isso não diz respeito a todos os pacientes com Parkinson.

"Quando a doença progride, há duas situações. Em uma, seus sinais (tremores, rigidez, lentidão...) não respondem mais ao tratamento" com comprimidos, diz.

"Na outra situação, os tratamentos permanecem eficazes, mas com variações significativas durante o dia: as pessoas tomam seus comprimidos, melhoram, depois pioram quando o efeito passa, e assim por diante. É para esses pacientes que os tratamentos contínuos são uma boa opção", explica o especialista.

Para isso, os pesquisadores testaram um dispositivo chamado bomba de apomorfina, usado 24 horas por dia, ou durante o dia - no bolso, no cinto, ao redor do pescoço, etc. -, e que injeta automaticamente o tratamento.

- "Pouco usado" -

"É comparável a uma bomba de insulina para diabetes", afirma o professor Flamand-Roze.

"No diabetes, o açúcar é muito alto, e fazemos com que abaixe e, no Parkinson, a dopamina (uma molécula presente no cérebro) é muito baixa, e então fornecemos um complemento equivalente continuamente", completou.

"Quando você toma um comprimido, ele faz um pico no cérebro, depois cai. É isso que causa as flutuações. Com o tratamento contínuo, você fica muito mais próximo do que acontece naturalmente", continua.

"O interesse do estudo é mostrar que certo número de pacientes pode se beneficiar desse tratamento, que continua subutilizado", garante o neurologista, que atende no hospital parisiense de Pitié-Salpêtrière (AP-HP).

Segundo ele, apenas um em cada dois pacientes faz esse tratamento, entre aqueles cuja condição poderia justificá-lo (após dez anos de evolução da doença). Embora seja difícil de quantificar, ele estima que represente no máximo 5% do total de pacientes.

O Parkinson é uma doença neurodegenerativa, a segunda atrás do Alzheimer em termos de frequência. À medida que progride, o risco de dependência aumenta, devido a complicações motoras e cognitivas que podem levar à demência.

As autoridades de saúde estimam que, em 2030, 260.000 pessoas serão tratadas para Parkinson na França, contra 166.000, em 2015.

- "Não é uma panaceia" -

Para este estudo, os pesquisadores acompanharam a evolução ao longo de dois anos de 110 pacientes em estágio avançado, tratados com bomba de apomorfina.

O estudo conclui que o tratamento é particularmente benéfico para pacientes já afetados por flutuações motoras antes de seu início.

"É um ótimo resultado para uma doença degenerativa, pois, ao longo de dois anos em estágio avançado, esperamos um agravamento", comemora o professor Flamand-Roze, que, no entanto, quer enviar "uma mensagem matizada".

"Não é um tratamento que cura sinais que não tratávamos antes, mas que pode evitar oscilações quando outro tratamento já está funcionando", enfatiza.

Além disso, insiste, "não retarda a progressão da doença, apenas trata os sintomas".

Por fim, entre os pacientes acompanhados, um terço interrompeu o tratamento, "seja porque têm efeitos colaterais, ou porque não funciona bem, ou porque acham o dispositivo muito restritivo".

"É um tratamento útil, mas não é uma panaceia", conclui o neurologista, que já trabalhou com laboratórios que fabricam o aparelho, sem que estes tenham intervido no estudo.

Segundo ele, dois outros estudos estão em andamento na França sobre esse tratamento: um, para ver se melhora o sono dos pacientes; e outro, para saber se deve ser oferecido mais cedo, sem esperar por um estágio avançado.

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