Em um discurso considerado o mais relevante desde sua posse, Blinken prometeu que o governo do presidente Joe Biden vai enfatizar a diplomacia sobre a ação militar e buscará a cooperação internacional em desafios globais, como a mudança climática e a pandemia de covid-19.

"Lidaremos com o maior teste geopolítico do século XXI: nossa relação com a China", disse Blinken no Departamento de Estado.

Nesse sentido, ele destacou o compromisso de defender os direitos de Hong Kong e da etnia uigur e afirmou que, se não fizer isso, "a China vai agir com uma impunidade ainda maior".

"A China é o único país com o poder econômico, diplomático, militar e tecnológico para desafiar seriamente o sistema internacional estável e aberto: todas as regras, valores e relações que fazem com que o mundo funcione como queremos", disse.

"A nossa relação com a China será competitiva quando tiver que ser, colaborativa quando puder ser e contraditória quando deve ser. Vamos nos relacionar com a China a partir de uma posição de força", enfatizou.

As declarações do chefe da diplomacia americana fazem alusão ao endurecimento da postura de Washington em relação à China durante a presidência do republicano Donald Trump, que culpou Pequim pela pandemia de covid-19 e entrou em uma batalha comercial com o gigante asiático.

O governo Biden indicou que não discorda do governo anterior em relação à China, mas acredita que pode ser mais eficaz em seu enfrentamento a Pequim, colaborando, por exemplo, com os aliados de Washington.

"A concorrência estratégica não exclui e não deve excluir trabalhar com a China se nosso interesse nacional requer fazê-lo", diz um guia de política externa, divulgada pela Casa Branca coincidindo com o discurso de Blinken.

O documento aponta as mudanças climáticas, a saúde mundial, o controle de armas e a não proliferação nuclear como áreas nas quais se pode buscar a cooperação chinesa.

- Objetivos "claros e alcançáveis" -

Blinken revelou que Biden seria moderado na ação militar, apesar de ter ordenado um ataque aéreo na semana passada na Síria contra paramilitares xiitas iraquianos apoiados pelo Irã.

O secretário de Estado não mencionou um novo ataque nesta quarta-feira em uma base no Iraque, no qual um trabalhador americano morreu de uma crise cardíaca.

"Em casos futuros, quando tivermos que empreender uma ação militar, faremos somente quando os alvos e a missão forem claros e alcançáveis, consistentes com nossos valores e leis e com o consentimento informado do povo americano", disse Blinken. "E faremos junto com a diplomacia", acrescentou.

O chefe da diplomacia americana alertou sobre uma "erosão da democracia" em todo o mundo, o que inclui os Estados Unidos, e destacou o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio por parte de apoiadores do ex-presidente Donald Trump.

Se os Estados Unidos não promovem a democracia, "jogamos o jogo dos adversários e competidores como Rússia e China, que aproveitam todas as oportunidades para semear dúvidas sobre a força de nossa democracia", disse Blinken.

No entanto, ele afirmou que Biden não tem interesse em levar a democracia ao mundo "por meio de custosas intervenções militares ou tentando derrubar regimes autoritários pela força", como o país tentou no passado sem sucesso, segundo suas palavras, provavelmente referindo-se à guerra no Iraque e à intervenção em 2011 na Líbia.

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