As detenções ocorrem a cinco meses das eleições presidenciais, previstas para 7 de novembro, quando a oposição espera que Ortega, no poder desde 2007, tente se eleger a um quarto mandato consecutivo.

Os bispos pediram para evitar que "se institucionalize a restrição arbitrária e ilegal às liberdades cidadãs, a perseguição contra opositores, meios de comunicação, a persistente situação de injustiça, leis em detrimento dos direitos humanos, assédio e perseguições políticas".

A operação policial teve início em 2 de junho com a detenção de Cristiana Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro e a pré-candidata com mais chances de derrotar o atual presidente, acusado de lavagem de dinheiro, em uma eventual tentativa de reeleição.

Também foram detidos os pré-candidatos Arturo Cruz, Félix Maradiaga e Juan Sebastián Chamorro, investigados, entre outros crimes, por "incitar a intervenção estrangeira", aplicando-lhes leis aprovadas pelo Congresso governista.

"Todos devemos exigir com os meios disponíveis o respeito ao voto para que, como resultado de eleições livres e transparentes, surja um governo eleito pelo povo soberano", disseram as lideranças católicas.

Ortega, um ex-guerrilheiro que governou de 1979 a 1990, voltou ao poder em 2007 com a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e permanece ali após duas reeleições sucessivas

Ele é acusado pela oposição e a comunidade internacional de governar de forma autoritária, após a violenta repressão das manifestações contra sua gestão em 2018, que deixou 328 mortos e milhares de exilados, segundo organismos de defesa dos direitos humanos.

"Queremos e preferimos para a Nicarágua um sistema democrático", afirmaram os bispos, que tiveram um papel protagonista no diálogo que tentou pôr fim à crise política detonada pelos protestos de 2018.

Na ocasião, o governo acusou as lideranças católicas de fazer parte dos supostos planos "golpistas" da oposição. As relações entre a Igreja e as autoridades são tensas.

Na quinta-feira, a vice-presidente Rosario Murillo assegurou que quem se sentir perseguido no país é pelos crimes cometidos.

Os conteúdos mais inspiradores e atuais!

Ative as notificações do SAPO Brasil e fique por dentro.

Siga-nos na sua rede favorita.