A maior parte dos recursos irá para países da África, do Oriente Médio, da Europa Oriental e da Ásia Central e para o Sul Asiático, afirmou o Banco Mundial em um comunicado.

A instituição acrescentou que os fundos vão apoiar a agricultura, fornecer "proteção social para amortecer os efeitos do aumento de preços dos alimentos" e promover projetos de abastecimento de água e de irrigação.

O Banco Mundial destaca ainda que possui 18,7 bilhões de dólares não utilizados que também poderão ser destinados a projetos diretamente ligados a problemas de segurança alimentar e nutricional.

"No total, isso representa mais de 30 bilhões de dólares disponíveis para combater a insegurança alimentar nos próximos meses", apontou a instituição.

"O aumento dos preços dos alimentos tem efeitos devastadores sobre os mais pobres e vulneráveis", declarou o presidente do Banco, David Malpass, em um comunicado.

"Para informar e estabilizar os mercados, é essencial que os países agora façam declarações claras sobre os futuros aumentos de produção em resposta à invasão russa da Ucrânia", apontou.

Ele recomenda que os países façam "esforços concentrados" não apenas para aumentar o fornecimento de energia e fertilizantes, ajudar os agricultores a aumentar as plantações e rendimentos das colheitas, mas também para "remover políticas que bloqueiam exportações e importações (...) ou incentivam o armazenamento desnecessário".

- "Necessidades imediatas" -

Em uma declaração separada, o Tesouro dos Estados Unidos elogiou a ação coletiva das instituições financeiras internacionais (IFIs), incluindo o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os bancos de desenvolvimento, enfatizando que estão trabalhando "rápido" para tentar lidar com a crescente demanda por alimentos.

As IFIs anunciaram uma série de medidas nesta quarta-feira, enfatizando que poderiam usar não apenas seu financiamento, mas também seu conhecimento técnico. "Isso inclui alavancar ferramentas e programas existentes de forma acelerada (...), reorientar os programas atuais, (...) direcionar o trabalho que atende às necessidades imediatas", explicaram em comunicado.

Entre seus objetivos prioritários: aliviar a escassez de fertilizantes, apoiar a produção de alimentos imediatamente, investir em uma agricultura resiliente às mudanças climáticas para o futuro ou até mesmo promover o livre comércio.

Mesmo antes da guerra na Ucrânia, a insegurança alimentar já era agravada por conflitos, crises climáticas e crises econômicas.

No ano passado, 193 milhões de pessoas em 53 países estavam em situação de insegurança alimentar aguda, o que significa que precisavam de ajuda urgente para sobreviver, segundo dados da ONU.

A situação vai piorar devido à guerra russo-ucraniana, alertaram as instituições, enquanto a Rússia e a Ucrânia são, respectivamente, o primeiro e quinto exportadores mundiais de trigo, representando sozinhos 30% da oferta mundial.

E a preocupação cresce à medida que a Índia, atingida por uma onda de calor excepcional, anunciou na sexta-feira passada uma proibição geral à exportação de trigo para garantir a segurança alimentar de seus 1,4 bilhão de habitantes.

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