Pouco depois da meia-noite, militares azerbaijanos entraram no distrito de Lachin (Berdzor, em armênio), que estava sob controle das forças armênias desde a guerra dos anos 1990.

Os militares participaram de uma pequena cerimônia em um edifício oficial da cidade, onde a bandeira do Azerbaijão foi hasteada.

Este é o último dos três distritos que a Armênia se comprometeu a devolver ao Azerbaijão com base no acordo de cessar-fogo, assinado com a mediação da Rússia.

O distrito de Lachin, assim como os de Aghdam, devolvido em 20 de novembro, Kalbakhar, retrocedido em 25 de novembro, constituía uma zona desmilitarizada que cercava a autoproclamada república de Nagorno Karabakh desde o fim de uma guerra em 1994.

Outros quatro territórios foram conquistados pelas forças militares azerbaijanas após seis semanas de combates, que deixaram milhares de mortos.

O acordo permite a sobrevivência de Nagorno Karabakh, província habitada em sua maioria por armênios, mas sem parte de seu território.

Quase 2.000 soldados russos foram mobilizados para garantir o cessar-fogo e a manutenção do corredor que liga a Armênia ao território.

Montanhosa, e atualmente coberta de neve, Lachin, que se estende de norte a sul até o Irã, ao longo da fronteira leste da Armênia, é conhecida principalmente pelo corredor de mesmo nome.

Controlado pelas forças de paz russas, este corredor é agora a única rota que liga Nagorno Karabakh à Armênia.

Após a assinatura dos acordo, alguns moradores abandonaram a área e destruíram casas e infraestruturas.

Alguns, no entanto, como Levon Gevorguian, proprietário de um bar e de um supermercado na praça principal de Lachin, decidiram permanecer.

"Moro há 22 aos aqui, construí tudo do zero", afirma o homem de 48 anos. "Tenho um empréstimo a pagar, espero que me deixem ficar. Em caso contrário, queimarei tudo", afirma.

Valera Levonian, uma das proprietárias de um supermercado e um hotel, também pretende ficar, pela existência do corredor com Stepanakert, capital de Nagorno Karabakh: "As pessoas que passam aqui podem parar e comer, beber chá e café. Não apenas os armênios, também os russos e os estrangeiros".

David Davtian, funcionário da administração local, disse à AFP que os moradores tinham até 18h GMT (15h de Brasília) para abandonar o local, com exceção dos 200 considerados "essenciais para a administração", em particular os que trabalham para manter o corredor.

- "Não sei para onde ir" -

Também há moradores que ficam por falta de opção.

Arksia Gyokshakian, de 60 anos, é uma dessas pessoas: "Não sei para onde ir. Fiquei aqui durante a guerra. É minha casa", declarou à AFP.

Ao final da primeira guerra em 1994, aconteceu um êxodo inverso: a população azerbaijana fugiu da região, que recebeu muitos armênios nos anos seguintes.

Muitos habitantes de Karabakh que fugiram durante os recentes combates agora estão retornando para a região separatista. Nesta terça-feira, as forças russas anunciaram que ajudaram na volta de mais de 26.000 pessoas.

A trégua, assinada quando a situação militar era catastrófica para a Armênia, destaca o papel determinante da Rússia em sua zona de interesse do Cáucaso, mas também a influência crescente da Turquia.

Ancara anunciou um acordo com Moscou para estabelecer um centro conjunto de observação de cessar-fogo.

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