"O governo do estado do Níger confirma que o número de estudantes sequestrados pelos bandidos é de 136", anunciou o governo local em uma mensagem postada no Twitter na quarta-feira (2) à noite.

As forças de segurança e as autoridades "fazem todo o possível para garantir o retorno seguro das crianças", afirmou o governo local.

No entanto, estão agindo "com prudência na perseguição dos bandidos para evitar danos colaterais", conclui a mensagem.

As autoridades estaduais também solicitaram a ajuda do governo federal para "equipar melhor" as forças de segurança que devem enfrentar "esses bandidos".

Na tarde de domingo, vários homens armados chegaram em motocicletas à cidade de Tegina, onde começaram a atirar, matando um morador e ferindo outro, antes de sequestrar as crianças.

Cerca de 200 menores estavam na escola no momento do ataque. Muitos conseguiram escapar, enquanto os sequestradores deixaram vários para trás, com entre 4 e 12 anos, porque "eram muito pequenos para andar", informou à AFP um dos funcionários da escola.

Desde o ataque, os pais dos alunos sequestrados esperam, sentados em frente à escola, por notícias de seus filhos.

"Peço ao governo que faça tudo para proteger seus cidadãos e nossos filhos", declarou à AFP Sa'idu Umar, pai de uma das crianças sequestradas. "Esperamos que as autoridades façam mais para trazer nossos filhos de volta".

- Série de sequestros -

Este ataque é o mais recente de uma série de sequestros de estudantes nos últimos meses no centro e noroeste da Nigéria, onde gangues armadas aterrorizam as populações há uma década, com saques a vilas, roubo de gado e sequestros em massa para exigir resgate.

Sem contar os alunos raptados no domingo, pelo menos 730 crianças e adolescentes foram sequestrados desde 2020.

Vários desses sequestros chegaram às primeiras páginas de jornais internacionais e causaram comoção mundial, especialmente quando, no final de fevereiro, 279 meninas, com entre 12 e 16 anos, foram sequestradas e libertadas cinco dias depois no estado de Zamfara, no noroeste da Nigéria.

Esta série teve início em dezembro de 2020, com o sequestro de 344 meninos de sua escola em Kankara (norte). Eles foram soltos depois de uma semana, após negociações.

A multiplicação desses sequestros levanta a preocupação de um agravamento do número de crianças fora da escola, principalmente das meninas, nas regiões pobres e rurais que já apresentam as maiores taxas de menores que não vão à escola na Nigéria.

Diante dessa situação, vários estados decidiram fechar provisoriamente seus centros de ensino e internatos.

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