Quase 71% da população urbana da América Latina e do Caribe tem opções de conectividade, em comparação com menos de 37% nas áreas rurais, segundo estudo elaborado pela Microsoft, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

"É uma lacuna que gera grande impacto, na medida em que 77 milhões de pessoas nas áreas rurais da América Latina e do Caribe carecem de conectividade", disse à AFP Sandra Ziegler, pesquisadora do IICA responsável pelo estudo.

Essa situação deixa grande parte da população sem acesso às informações necessárias para atividades produtivas, culturais e educacionais e sem possibilidade de acesso a medicamentos e serviços públicos.

Os dados citados no relatório indicam que um aumento de 1% na penetração da banda larga fixa produz um aumento de 0,08% do PIB, enquanto um aumento de 1% na penetração da banda larga móvel produz um aumento de 0,15% do PIB.

A pesquisa, baseada em 24 países da região, revelou variações marcantes entre as nações, embora "seja preciso esclarecer que todos os países estão atrasados".

O relatório dividiu os países em três grupos, com Bahamas, Barbados, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica e Panamá tendo a maior conectividade rural.

Em um nível intermediário estão Argentina, Equador, México, Paraguai, República Dominicana, Trinidad e Tobago e Uruguai.

Enquanto isso, Belize, Bolívia, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Nicarágua, Peru e Venezuela apresentam os níveis mais baixos.

O pesquisador do IICA citou o caso do Brasil, onde pequenas operadoras oferecem serviços de conexão de baixo custo em áreas remotas, graças à isenção de impostos.

"Em todos os casos (com mais conectividade) vê-se a decisão de promover determinadas políticas públicas e solicitar a colaboração do setor privado e de organizações de cooperação que fazem parte do ecossistema digital", explicou Ziegler.

Segundo o pesquisador, "a agricultura tem uma janela de oportunidade muito importante em relação às possibilidades que a tecnologia oferece para desenvolver a agricultura de precisão, para que as informações cheguem aos pequenos produtores para melhorar suas lavouras e realizar práticas sustentáveis".

O relatório, portanto, recomenda a promoção de políticas que abordem essas limitações.

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